Índia acusa Paquistão de fugir da culpa por ataque a Mumbai

Nova Délhi pede mais empenho de Islamabad na luta contra militantes islâmicos; atentado matou 179

Reuters,

22 de dezembro de 2008 | 10h08

A Índia acusou nesta segunda-feira o Paquistão de fugir da culpa pelos atentados de novembro em Mumbai, e pediu mais empenho de Islamabad contra militantes islâmicos. Índia e EUA culpam o grupo paquistanês Lashkar-e-Taiba pela ação que deixou 179 mortos e provocou uma nova crise entre os dois vizinhos nucleares do sul da Ásia, que já travaram três guerras desde 1947.   Veja também: Suspeito de Mumbai pede encontro com diplomata do Paquistão O governo do Paquistão nega qualquer relação com o ataque, atribuindo-o a "atores não-estatais", e promete cooperar na investigação - embora afirme que a Índia não forneceu qualquer prova para ser investigada. "A resposta do Paquistão até agora demonstra sua tendência inicial de recorrer a uma política da negação e de buscar esvaziar e desviar a culpa e a responsabilidade", disse o chanceler indiano, Pranab Mukherjee.   Ele reiterou que a Índia mantém todas as opções em aberto depois do atentado, o que a imprensa local interpreta como sendo uma ameaça militar ao país vizinho. Mukherjee declarou que não foi isso que ele quis dizer.       No domingo, o ministro disse que a Índia transmitiu ao Paquistão provas concretas sobre a autoria do ataque, inclusive telefonemas interceptados e um relato feito pelo único militantes que sobreviveu ao incidente, Ajmal Amir Kasab. "Salientamos que a infra-estrutura do terrorismo no Paquistão tem de ser desmantelada permanentemente", disse Mukherjee durante reunião com diplomatas na segunda-feira. "Ainda há muito mais a fazer", disse ele, referindo-se às promessas do Paquistão de reprimir grupos militantes como o Lashkar-e-Taiba e o Jaish-e-Mohammad.   Um porta-voz paquistanês disse que a Índia não forneceu provas, e que Islamabad só tem recebido tais informações pela imprensa. "Estamos fazendo nossa investigação, mas não pode ir muito longe porque não temos nada do local do crime, não temos nada da Índia", disse Mohammad Sadiq, porta-voz da chancelaria paquistanesa. "Acho que estamos fazendo o suficiente, estamos fazendo tudo o que é possível. Fizemos mais do que foi solicitado pelo Conselho de Segurança da ONU". Uma comissão do Conselho de Segurança acrescentou neste mês quatro dirigentes do Lashkar à lista de pessoas e grupos submetidos a sanções devido a ligações com a Al-Qaeda e o Taleban.  O Lashkar foi criado para combater o domínio indiano sobre parte da Caxemira. Analistas e funcionários dos EUA dizem que o grupo tem ligações com a poderosa agência paquistanesa de inteligência militar, que estaria usando-o para desestabilizar a Índia. Islamabad nega tal afirmação.    

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