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Índia acusa Paquistão de violar seu espaço aéreo

A tensão voltou a aumentar neste domingo no subcontinente indiano, ao mesmo tempo em que oprimeiro-ministro britânico, Tony Blair, iniciava uma visita à região com o propósito de pressionar o governo paquistanês a combater o terrorismo e de promover o diálogo entre Índia e Paquistão.O Exército indiano anunciou ter disparado contra um avião espião do Paquistão, não tripulado, que teria entrado em seu espaço aéreo no sul da Caxemira. Os militares disseram não saberse o aparelho retornou ao território paquistanês ou caiu.Testemunhas afirmaram que o avião penetrou aproximadamente quatro quilômetros em território da Índia, dando início a pesada troca de tiros entre tropas dos dois países. As autoridades paquistanesas refutaram a acusação, garantindoque um avião indiano havia caído e a Índia estava pondo a culpa no país. "Nenhum incidente desse tipo ocorreu na linha de controle da Caxemira", rebateu o porta-voz do Exército paquistanês, brigadeiro Saulat Raza. "Não perdemos nenhum avião nem violamos o espaço aéreo indiano."Enquanto militares dos dois países trocavam acusações, Blair reunia-se em Nova Délhi com o primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, que retornara horas antes da cúpula de paísesdo sul da Ásia, relizada no Nepal. Esse encontro regional terminou sem produzir avanços naaproximação entre Índia e Paquistão, embora o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, tenha declarado à imprensa que manteve "encontros informais" com Vajpayee durante a cúpula -fato negado depois pelo líder indiano. Vajpayee disse que eles apenas trocaram palavras de "cortesia". Blair expressou seu apoio à Índia na luta contra o terrorismo e disse aos jornalistas que Musharraf tem de agir contra os extremistas e engajar-se no diálogo com Vajpayee. "Nós rejeitamos os argumentos de todos aqueles que tentam justificaro terrorismo, que em todas as suas formas deve ser condenado sem ambigüidades e erradicado onde existir", assinala um comunicado conjunto divulgado após o encontro, denominado Declaração de Nova Délhi.Blair e Vajpayee condenaram todos os que apóiam e financiam o terrorismo e igualaram os atentados contra o Parlamento e uma assembléia indiana aos ataques de 11 de setembro nos Estados Unidos. Vajpayee declarou-se pronto para discussões com oPaqusitão. "Nós acreditamos em troca de opiniões, em negociações para resolver problemas."A Índia responsabilizou pelos atentados dois grupos islâmicos paquistaneses que lutam contra o domínio indiano na Caxemira (região muçulmana no Himalaia, dividida entre as duas nações). "Recebemos bem algumas ações tomadas pelo Paquistão nos últimos dias, mas não há dúvidas sobre tudo o que precisa acontecer", disse Blair na entrevista coletiva ao lado de Vajpayee."Deve haver total rejeição dos tipos de ações terroristas realizadas em 1º de outubro e 13 de dezembro." Nessas datas ocorreram os atentados contra a Assembléia de Jammu Caxemira e oParlamento indiano. "Não há meio caminho para chegar a isso", afirmou Blair. Ele tem marcado para amanhã um encontro com Musharraf emIslamabad e frisou que a Grã-Bretanha está se empenhando para que as duas partes resolvam por meio do diálogo a disputa sobre a Caxemira.Depois dos atentados e a irada reação da Índia contra o Paquistão, as duas nações reforçaram os contingentes militares ao longo de sua fronteira. Pressionado pelos indianos e a comunidade internacional, governo paquistanês prendeu centenas de militantes islâmicos nos últimos dias. Hoje, foram detidas 42 pessoas. Índia e Paquistão travaram três guerras desde sua independência da Grã-Bretanha, em 1947, duas delas por causa da região da Caxemira.

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