Índia acusa Paquistão por ataque a templo

O governo indiano acusou hoje o Paquistão por um ataque a um grande templo hindu que deixou 32 mortos, levantando temores de novos distúrbios sectários e o aumento de tensão entre os vizinhos que possuem armas nucleares. O Paquistão rejeitou a acusação. O Exército indiano enviou hoje 3.000 soldados para o estado oriental de Gujarat a fim de prevenir mais violência religiosa em vista do ataque na capital do estado. Pelo menos 1.000 pessoas foram mortas em Gujarat no começo deste ano, a maioria muçulmanos assassinados por gangues de hindus. Depois de visitar o templo, o primeiro-ministro indiano, Atal Bihari Vajpayee, pediu o fim do ciclo de violência. "Primeiro acontece um incidente violento num lugar, então há uma revanche estúpida", afirmou. "Temos de acabar com isso. O espírito de amizade também tem de prevalecer em Gujarat".O Ministro da Defesa anunciou que as tropas foram solicitadas pelo governo estadual, que tem sido criticado por não agir com rapidez para conter distúrbios anteriores, ocorridos entre fevereiro a abril. Escolas, universidades e a maior parte dos estabelecimentos comerciais permaneceram fechados em Gandhinagar e a capital comercial vizinha de Ahmadabad, enquanto o oposicionista Partido do Congresso convocava uma greve. O partido acusa o governo estadual de ser incapaz de proteger tanto os muçulmanos quanto os hindus.O Conselho Mundial Hindu, um grupo radical hindu e um aliado do governista Partido Bharatiya Janata, convocou uma greve geral nacional para quinta-feira a fim de protestar contra o "terrorismo jihad". "A greve é para advertir que se o governo não agir a tempo, as pessoas vão fazer justiça com as próprias mãos", disse Mohan Salekar, o secretário-geral do grupo.Na madrugada de hoje, comandos invadiram o complexo religioso, matando dois pistoleiros que haviam atacado o local com granadas e fuzis na noite de terça-feira, quando estavam no templo cerca de 500 fiéis, clérigos e turistas. O ataque ao Templo Swaminarayan, nos arredores de Gandhinagar, capital de Gujarat, deixou 32 mortos, entre eles pelo menos um comando do governo, dois policiais e os dois atacantes. Setenta e quatro pessoas ficaram feridas, incluindo pelo menos 23 policiais.Os pistoleiros conseguiram resistir a forças do governo por cerca de 14 horas, mantendo-se quietos por longos períodos, e então respondendo ao fogo e lançando granadas, relatou o brigadeiro Raj Sitapathy, comandante da força de elite que liderou a invasão. "Os dois atacantes foram mortos pouco depois do amanhecer", disse. Nenhum grupo assumiu responsabilidade pelo ataque, e os atacantes mortos não foram identificados.Mas o vice-premier indiano, Lal K. Advani, culpou o Paquistão. Advani referiu-se a um discurso pronunciado em 12 de setembro pelo presidente paquistanês Pervez Musharraf, nas Nações Unidas, quando condenou a morte de muçulmanos em Gujarat. "Nosso inimigo foi às Nações Unidas e falou sobre Gujarat", disse Advani. "A partir dali, parece que eles vinham planejando e este ataque foi executado para implementar seus propósitos".Em Islamabad, o porta-voz do Ministério do Exterior, Aziz Ahmad Khan , rechaçou a acusação e condenou o ataque ao templo. "Essas acusações são ridículas. Tais atos terroristas não promovem qualquer causa", disse. "Sentimos que aqueles por trás do ataque terrorista tentam elevar a tensão na região".O templo - um dos mais populares da Índia - recebe cerca de 5.000 visitantes por dia, mas não tinha guardas de segurança. Enquanto centenas de pessoas fugiam do complexo, a polícia chegou e disparou contra os atacantes. Sitapathy disse que os pistoleiros não conseguiram fazer reféns, porque os peregrinos ou fugiram ou se trancaram em salas. Depois do fim do cerco, 65 peregrinos foram resgatados de uma das salas. O líder do comando afirmou que duas cartas, escritas em urdu, foram encontradas com os atacantes. O urdu é falado em partes do Paquistão e da Índia. As cartas traziam o nome de um grupo desconhecido, "Movimento pela Revanche", afirmou Sitapathy. A referência à revanche poderia indicar uma conexão com o massacre de muçulmanos num anterior distúrbio religioso em Gujarat, que teve início depois que um grupo de muçulmanos teria incendiado um trem que transportava nacionalistas hindus.Não ficou clara, entretanto, a ligação religiosa dos atacantes do templo de Gandhinagar. "Eles estavam bem barbeados, com roupas civis e parecem ter pouco mais de 20 anos", relatou Sitaphaty. Eles carregavam tâmaras e doces para dar-lhes energia por mais de 24 horas, e dispunham de granadas, fuzis AK-47 e muita munição. No geral, os atacantes têm semelhança com o grupo que atacou o Parlamento indiano em 13 de dezembro - pelo qual a Índia acusou o Paquistão e levou os vizinhos à beira da guerra.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.