Índia aplica técnicas de tortura na Caxemira, aponta WikiLeaks

Documento cita diplomatas da Cruz Vermelha denunciando as práticas na tensa região

Agência Estado

17 de dezembro de 2010 | 10h24

NOVA DÉLHI - O Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) forneceu a diplomatas dos EUA em 2005 provas do uso sistemático de técnicas de tortura pelas forças de segurança indianas na Caxemira. O fato foi revelado por documentos diplomáticos americanos vazados nesta sexta-feira, 17, pelo site WikiLeaks.

 

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Em uma conversa confidencial, o CICV afirmou a diplomatas que 177 visitas foram feitas a centros de detenção na Caxemira indiana, revelando "padrões estáveis" de abusos a prisioneiros. As "técnicas" incluem tratamentos com choque, torturas sexuais e com água e quase 300 casos de uso de um objeto de metal redondo, colocado nas coxas do prisioneiro e então pressionado pelos guardas para esmagar os músculos do torturado.

 

O CICV informou que foi "forçado a concluir que (o governo indiano) fecha os olhos para a tortura", segundo os documentos. Grupos de direitos humanos já denunciaram abusos na Caxemira indiana, uma região de maioria muçulmana. Separatistas lutam na área há mais de 20 anos.

 

O CICV se encontrou com quase 1.500 detentos e ressaltou que bem poucos deles eram militantes. A grande maioria era apontada como civis que teriam informações sobre a insurgência. O órgão notou que todos os braços das forças de segurança da Índia usavam técnicas de tortura, e sempre na presença de um oficial. A Índia e o Paquistão dividem a Caxemira, mas os dois países reivindicam a totalidade do território.

 

O WikiLeaks começou a vazar no fim de novembro os mais de 250 mil documentos diplomáticos secretos obtidos pelo site, irritando Washington pelas revelações, que levaram à tona segredos e bastidores da política externa de Washington. A Casa Branca considerou o vazamento como "irresponsável". As informações são da Dow Jones.

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