Índia aponta novo suspeito por atentados em Mumbai

A polícia de Mumbai anunciou que já tem o nome de um terceiro suspeito pelos atentados contra o sistema de transporte da cidade que deixaram cerca de 200 mortos na última terça-feira. O suposto terrorista foi identificado como apenas como Rahil. O governo indiano também liberou nesta sexta-feira fotos de dois outros suspeitos, Sayyad Zabiuddin e Zulfeqar Fayyaz, cujas nacionalidades não foram reveladas.Segundo a polícia, os suspeitos estavam foragidos desde meados de maio, quando autoridades prenderam três insurgentes muçulmanos com uma grande quantidade de armas, munição e explosivos plásticos, depois de uma perseguição em uma rodovia no oeste da Índia. Os investigadores não deram mais detalhes. No entanto, as agências de notícias indianas afirmam que os três suspeitos são membros do grupo terrorista islâmico Lashkar-e-Toiba (LeT). O Lashkar foi banido pelo presidente paquistanês Pervez Musharraf em 2001, mas reorganizou seus membros sob um novo nome, Jamaat-ud-Dawa, que possui centenas de ramificações em todo o Paquistão. Desde o início, as autoridades indianas sugeriram o envolvimento do LeT, radicado na Caxemira paquistanesa, devido ao "modus operandi" utilizado nos ataques contra sete trens, que deixaram 200 mortos e mais de 700 feridos.Nos últimos meses, a Polícia indiana vem acusando o LeT de estar por trás de diversos atentados ocorridos em seu território, entre eles os violentos ataques nos mercados de Nova Délhi, em outubro de 2005, e em Benares, no mês de março.As primeiras hipóteses sobre os atentados em Mumbai indicam que o LeT teria contado com o apoio logístico de um grupo local ilegal, o Movimento Islâmico de Estudantes da Índia (Simi). Alguns membros deste grupo foram detidos para serem interrogados.A Polícia investiga as ligações de telefones fixos e celulares feitos nos arredores dos locais dos atentados, antes e depois das explosões, principalmente as feitas para o Paquistão e para Bangladesh.Mão paquistanesaO primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, viajou nesta sexta-feira a Mumbai para visitar as vítimas e supervisionar o esquema de segurança implantado na cidade, que tem quase 18 milhões de habitantes.O chefe do Governo indiano disse que grupos "do outro lado da fronteira" estão envolvidos nos atentados conta o sistema de trens da cidade, e avisou que o Paquistão deve desmantelar o terrorismo para que o processo de paz avance. Nova Délhi vê "mão paquistanesa" por trás dos ataques em Mumbai. O Paquistão nega envolvimento e Musharraf ofereceu seu apoio à Índia para buscar os culpados. No entanto, a oferta do presidente paquistanês não impediu que o premier indiano fizesse referência à participação do vizinho nos ataques. Há dois anos, Singh disse que quando começou o processo de paz, o Paquistão garantiu à Índia que seu território "não seria usado para promover, encorajar, ajudar ou abrigar o terrorismo". Para o primeiro-ministro indiano, "essa garantia deve ser cumprida antes que o processo de paz avance".Negociações de pazO governo paquistanês rejeitou as alegações do premier indiano e pediu que o processo de paz entre as duas nações continue. A porta-voz do Ministério do Exterior do Paquistão, Tasnim Aslam disse que as alegações do ministro Singh não "têm fundamentos e já foram rejeitadas pelo governo". Ela acrescentou que a negociação de paz entre os dois países é uma questão independente e deve prosseguir.Contudo, uma agência de notícias indiana citou "fontes oficiais" que teriam dito que a possibilidade de que as conversas de paz, marcadas para a próxima semana, ocorra é pequena. As reuniões, marcadas para os dias 20 e 21 de julho, entre os ministérios do Exterior dos dois países deveriam revisar o progresso do processo de paz entre os dois rivais nucleares, que começou em 2004. Aslam alegou que não houve nenhum comunicado oficial da Índia sobre o adiamento das reuniões. A porta-voz reiterou que os líderes paquistaneses condenaram os ataques em Mumbai. "O terrorismo é um fenômeno que afeta todos os países do mundo e certamente aflige os países do sudeste da Ásia. Os atentados em Mumbai foram atos bárbaros de terrorismo que os Paquistão condena veementemente, incluindo o presidente e o primeiro ministro", concluiu.CaxemiraApesar de Índia e Paquistão terem melhorado suas relações nos últimos dois anos, não houve avanços consideráveis sobre o principal conflito entre os dois, que é a disputa pela Caxemira, dividida há seis décadas entre ambos os países.Os atentados em Mumbai já provocaram esta semana um confronto diplomático entre os ministérios de Exteriores indiano e paquistanês. Isso fez com que Nova Délhi reiterasse seu pedido a Islamabad, para que "acabe com a infra-estrutura terrorista no território sob seu controle".Texto atualizado às 18h17

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