Índia celebra 60 anos de independência

Premiê promete que ''''o melhor está por vir'''', em um país que cresce 8% ao ano, mas tem centenas de milhões de pobres

REUTERS, ASSOCIATED PRESS, FRANCE PRESSE E EFE, O Estadao de S.Paulo

07 de agosto de 2016 | 00h00

A Índia comemorou ontem o 60º aniversário de sua independência da Grã-Bretanha em um clima de triunfo e com muitos acreditando que o país finalmente conquistou sua posição de direito como um grande ator global. ''''Asseguro a cada um de vocês, e ao nosso país, que o melhor está por vir'''', disse o primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, durante o tradicional discurso do Dia da Independência.Ele marcou a data pedindo ao país que trabalhe duro para libertar-se dos grilhões da pobreza, da ignorância e das doenças. ''''A Índia não pode tornar-se uma nação com ilhas de grande crescimento e vastas áreas intocadas pelo desenvolvimento, onde os benefícios do crescimento chegam a poucos'''', disse Singh no histórico Forte Vermelho, em Nova Délhi, a uma multidão que incluía crianças vestidas de branco, laranja e verde, as cores da bandeira indiana.A economia da Índia é uma das que mais crescem no mundo, mas o país de 1,1 bilhão de habitantes tem uma das desigualdades mais profundas, com centenas de milhões de pobres sobrevivendo com muito menos de US$ 1 por dia. ''''O problema de desnutrição é uma vergonha nacional'''', disse Singh. ''''Apelo à nação que trabalhe para erradicar a desnutrição dentro de cinco anos.'''' Apesar de nos últimos anos a taxa média de crescimento da Índia ter sido de 8%, 46% das crianças com menos de 3 anos estão desnutridas - uma taxa mais alta que a da África Subsaariana -, segundo a ONU.O primeiro-ministro prometeu investir US$ 6,2 bilhões na agricultura, que ainda emprega mais da metade da população indiana. Ele também disse que quer uma ''''revolução na educação'''', em um país onde uma em cada três pessoas é analfabeta. ''''O sonho de Gandhi de uma Índia livre só estará totalmente completo quando erradicarmos a pobreza'''', disse Singh, referindo-se ao líder da independência.Em 3 de junho de 1947, lorde Mountbatten, o último governante da Índia britânica, anunciou que a Grã-Bretanha estava concedendo a independência não apenas a um país, mas a dois. Em 14 de agosto daquele ano, ele participou em Karachi da cerimônia de criação do Paquistão, um Estado muçulmano. No dia seguinte, foi a Nova Délhi para a declaração de independência da Índia - um país com mais de três vezes a população do Paquistão e de maioria hindu. Nas semanas que precederam a partilha, acredita-se que mais de 1 milhão de pessoas foram mortas nos choques religiosos e sectários. A divisão também fez com que mais de 14 milhões de pessoas cruzassem as fronteiras entre os dois países, em uma das maiores migrações em massa da história. Desde a partilha, Índia e Paquistão travaram três guerras - uma pelo território que hoje é Bangladesh e duas pela Caxemira, região himalaia de maioria islâmica que foi dividida entre os dois países.Depois de 60 anos de rivalidade, as duas potências nucleares iniciaram um processo aberto de diálogo. Na segunda-feira, o Paquistão libertou 134 prisioneiros indianos que haviam cruzado a fronteira ilegalmente. A Índia respondeu na terça-feira ao gesto de distensão, libertando 72 paquistaneses.O Paquistão comemorou o 60º aniversário da criação do país na quarta-feira. O presidente paquistanês, Pervez Musharraf, e o primeiro-ministro Shaukat Aziz destacaram em seus discursos o importante papel internacional da nação islâmica, defenderam a soberania do país e pediram à população que se una contra o terrorismo. Musharraf vem enfrentando intensa pressão dos EUA para agir com mais rigor contra os combatentes da Al-Qaeda e do Taleban, que se reagruparam na região tribal paquistanesa.

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