Índia celebra 60 anos e declara guerra à pobreza

O primeiro-ministro indiano,Manmohan Singh, celebrou na quarta-feira os 60 anos do fim dodomínio colonial britânico no país e pediu mais empenho nocombate à miséria, à ignorância e às doenças. "A Índia não pode se tornar uma nação com ilhas de altocrescimento e vastas áreas intocadas pelo desenvolvimento, ondeos benefícios do crescimento florescem apenas para poucos",disse ele, detrás de um vidro blindado, no histórico ForteVermelho, em Nova Délhi. "Avançamos em muitas batalhas contra a pobreza, aignorância e a doença. Mas podemos dizer que ganhamos aguerra?", disse ele a uma platéia de autoridades e diplomatas,além de crianças vestidas de branco, laranja e verde, as coresda bandeira nacional. A Índia tem uma das economias que mais crescem no mundo,mas é também um dos países mais desiguais do planeta, comcentenas de milhões de miseráveis sobrevivendo com menos de umdólar por dia. Franco-atiradores protegeram o local durante o discurso deSingh, enquanto soldados e policiais faziam vigilância extra emprédios de todo o país, já que a data é regularmente marcadapor ataques de separatistas ou de rebeldes maoístas. Antes, Singh depositou flores em memoriais que homenageiamo líder da independência indiana, Mahatma Gandhi, o primeiropremiê do país, Jawaharlal Nehru, e a filha dele, IndiraGandhi, assassinada quando também era primeira-ministra. Usando seu tradicional turbante azul-claro, Singh emseguida rumou para o forte de arenito, construído no século 17pela dinastia Mughal, onde hasteou uma bandeira nacional ao somde 21 tiros de canhão. Singh prometeu investimentos de 6,2 bilhões de dólares naagricultura, que emprega mais de metade da população, edefendeu uma "revolução na educação moderna", num país em quehá um terço de analfabetos. "O problema da desnutrição é uma vergonha nacional",acrescentou. "Apelo à nação para resolver e se empenhar naerradicação da desnutrição dentro de cinco anos." Apesar de a economia crescer cerca de 8 por cento nosúltimos anos, cerca de 46 por cento das crianças indianas sãodesnutridas, segundo o Unicef. A taxa é superior à da ÁfricaSub-Saariana. O premiê também prometeu incentivos à industrialização e aconstrução de "infra-estrutura de primeira linha". Mas alertoupara as dificuldades na transição da economia agrícola para aindustrial. Em Assam, Estado produtor de chá e petróleo no remotonordeste indiano, supostos rebeldes separatistas lançaram umagranada contra um quartel da polícia, ferindo dois policiais etrês civis, minutos antes do início das celebrações. No vale da Caxemira, onde há 17 anos a Índia enfrenta umarebelião separatista islâmica, as lojas fecharam e as ruasficaram desertas por causa da convocação de uma greve geral porparte de um grupo muçulmano que vê na data "um dia negro". A Caxemira é motivo de constante atrito da Índia com ovizinho Paquistão, que também reivindica a região e naterça-feira comemorou os 60 anos da sua independência. (Reportagem adicional de Biswajyoti Das em Guwahati, BappaMajumdar em Kolkata e Sheikh Mushtaq em Srinagar)

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