Índia chora pela astronauta Kalpana

A notícia da morte da primeira mulher de origem indiana a viajar ao espaço chocou o país e principalmente a pequena cidade onde nasceu Kalpana Chawla. Contrariando tradições do país, em que as mulheres devem dedicar-se ao casamento e à procriação, Kalpana deixou a Índia há cerca de 20 anos para se tornar uma astronauta.Em Karnal, sua cidade natal, dezenas de pessoas se reuniram na escola onde ela estudou para rezar e lamentar sua morte. "Essa tragédia foi um golpe para nossa família, mas posso ver que todos nossos amigos e membros da comunidade compartilham nossa dor", disse seu irmão, Sanjay Chawla.O presidente indiano, A.P.J. Abdul Kalam, declarou seu profundo pesar e lembrou o orgulho do país pela participação de Chawla em uma missão espacial.Foi a segunda vez que a indiana, naturalizada americana, viajou ao espaço. Ela já havia estado em 1997 a bordo do próprio Columbia, quando cometeu um erro técnico que descontrolou o satélite e obrigou seus colegas a fazerem uma caminhada espacial para capturá-lo.O problema não interferiu na boa imagem que tinha na Índia, onde sua carreira sempre foi acompanhada de perto pela mídia. Mas não foi sempre fácil para Kalpana. Quando decidiu estudar engenharia aeronáutica a 160 quilômetros da sua cidade, alguns familiares e amigos viraram às costas para sua mãe por permitir tamanha ousadia."Nas nossas famílias não é normal dar liberdade para garotas", disse sua prima, Vijay Setia. Mais tarde, Kalpana mudou-se para os Estados Unidos, onde cursou doutorado e pós-doutorado.Em 1988, começou a trabalhar na Nasa como pesquisadora e se tornou uma astronauta em 1994. Aos 41 anos, tinha 376 horas de vôo no espaço. Kalpana era casada com um americano e não tinha filhos. "Ela dizia que você podia sonhar porque ela havia sonhado e tinha dado certo", contou Namita Alung, uma garota de 16 anos, cujos estudos em um programa para futuros astronautas foram patrocinados por Kalpana.VEJA O ESPECIAL

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