Índia confirma Mukherjee como novo presidente

Embora o poder real esteja com o primeiro-ministro e seu gabinete, o presidente pode desempenhar um papel importante em momentos de crise

RENATO MARTINS, Agência Estado

22 Julho 2012 | 12h03

Pranab Mukherjee, ex-ministro das Finanças da Índia, foi declarado neste domingo o vencedor da eleição para a Presidência do país. A eleição indireta para o cargo de presidente, que é em grande parte cerimonial, foi realizada na última quinta-feira entre os membros do parlamento e dos Legislativos estaduais.

Segundo o porta-voz da Comissão Eleitoral, Mukherjee, de 76 anos, obteve 713.937 votos. Seu concorrente, P.A. Sangma, obteve 315.987 votos. No sistema indiano de eleição presidencial, o voto de um membro do parlamento equivale a 708 votos de deputados estaduais.

A eleição de Mukherjee é considerada uma vitória importante para a coalizão de governo liderada pelo Partido do Congresso, de centro, que tem estado sob pressão por causa da desaceleração do crescimento da economia e de escândalos de corrupção. A presidente do partido, Sonia Ghandi, e o primeiro-ministro Manhmohan Singh cumprimentaram Mukherjee pela vitória.

"Estou agradecido por ter sido eleito. Fui encarregado da responsabilidade de proteger, defender e preservar a Constituição da república. Vou tentar justificar essa confiança da melhor maneira possível", disse Mukherjee em entrevista coletiva. Ele vai suceder Pratibha Devisingh Patil, primeira mulher a ocupar a Presidência da Índia, por um mandato de cinco anos.

Embora o poder real esteja com o primeiro-ministro e seu gabinete, o presidente pode desempenhar um papel importante em momentos de crise; se um partido não consegue obter maioria clara nas eleições parlamentares, cabe ao presidente designar o partido encarregado de buscar apoio entre as agremiações menores de modo a formar um novo governo.

A eleição deste ano foi acompanhada com atenção porque o Partido do Congresso tem enfrentado dificuldades para manter suas alianças. O partido CongressoTrinamool, liderado pela ministra-chefe (governadora) do estado de Bengala Ocidental, Mamata Banerjee, se opunha à candidatura de Mukherjee e só manifestou seu apoio no dia 17, dois dias antes da eleição.

O analista político Sanjay Kumar, do Centro para o Estudo de Sociedades em Desenvolvimento, disse que Mukherjee poderá "desempenhar um papel decisivo" na próxima eleição parlamentar, prevista para 2014. Além de ministro das Finanças, Mukherjee já ocupou as pastas de Defesa e Relações Exteriores e é considerado um dos políticos mais experientes e articulados do Partido do Congresso. "Ele alcançou a maturidade política por meio de sua conhecida eficiência e por seu estilo de trabalho avesso a controvérsias. Sem dúvida, ele vai se mostrar um presidente melhor", afirmou Kumar.

A posse de Mukherjee está prevista para a próxima quarta-feira. As informações são da Dow Jones.

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