Índia critica pela primeira vez as caricaturas de Maomé

O Governo da Índia expressou sua "profunda preocupação" com a crescente polêmica criada no país por causa da publicação de caricaturas de Maomé, segundo a edição de hoje do jornal The Hindu. Esta é a primeira vez que o Executivo indiano avalia as polêmicas charges, o que ocorreu após uma semana de manifestações de protesto de muçulmanos em diferentes regiões do país, entre elas Nova Délhi."É uma obrigação para todos nós ter sensibilidade em relação às crenças e sentimentos dos outros, e evitar qualquer ação que cause danos às pessoas", afirmou um comunicado do Governo indiano. "O compromisso da Índia em relação à tolerância e à harmonia religiosas é inalterável, e não são aceitáveis ações que prejudiquem os sentimentos de qualquer de nossas comunidades", acrescentou.Na sexta-feira, milhares de muçulmanos protestaram contra a Dinamarca na mesquita Jama Masjid de Nova Délhi, a maior da Índia, datada do século XVII, por causa das polêmicas caricaturas de Maomé. O imame da mesquita, Ahmed Bukhari, que convocou o protesto, criticou o silêncio do Governo indiano sobre um assunto tão sensível, e exigiu que o Executivo reivindicasse desculpas públicas da Dinamarca por ter sido o primeiro país a divulgar as caricaturas do profeta do Islã.Ao contrário do que ocorreu em outros países, como o Afeganistão e o Líbano, os muçulmanos da Índia, que representam uma minoria de 140 milhões de pessoas, não provocaram incidentes graves nos protestos contra as caricaturas. Houve protestos, além de Délhi, em Lucknow (norte da Índia), com uma grande presença muçulmana, e em Bhopal (centro do país), todas elas após a oração de sexta-feira, dia sagrado muçulmano.As caricaturas do profeta do Islã foram publicadas no jornal conservador dinamarquês "Jyllands-Posten" em 30 de setembro e depois reproduzidas por vários jornais europeus.

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