Índia decide dividir local sagrado disputado por muçulmanos e hindus

Espaço sagrado em Ayodhya gerou confrontos entre as duas comuidades durante anos

Associated Press

30 de setembro de 2010 | 09h50

 

LUCKNOW - Um tribunal da Índia decidiu nesta quinta-feira, 30, que um local sagrado disputado há anos por hindus e muçulmanos será dividido entre as duas comunidades, informou um advogado envolvido no caso.

 

Os muçulmanos reverenciam um local em Ayodhya como a origem da mesquita de Babri, do século XVI, hoje demolida, enquanto os hindus dizem que foi lá que nasceu o deus Rama.

 

O Supremo Tribunal de Allahabad decidiu que o local deve ser dividido, sendo um terço para comunidade muçulmana e o resto partilhado entre dois grupos hindus, de acordo com Ravi Shankar Prasad, representante legal de um dos lados envolvidos na disputa.

 

Os hindus ficarão com um área na qual um altar para Rama foi construído. "A maioria decidiu que o local é onde nasceu o deus Rama, e esse espaço não pode ser transferido", disse o advogado.

 

O representante dos muçulmanos, Zaffaryab Jilani, porém, disse que vai recorrer da decisão. Ele admitiu que a decisão é "um passo à frente", mas que ainda assim apelaria.

 

Os conflitos pela posse do local sagrado em Ayodhya gerou conflitos entre muçulmanos e hindus na Índia. A destruição da mesquita por uma multidão de hindus em 1992 desencadeou alguns dos piores distúrbios da Índia, com um saldo de cerca de 2 mil mortos. Os hindus querem construir um templo no local, mas os muçulmanos pretendem reerguer a mesquita.

 

O governo indiano mobilizou mais de 200 mil policiais nesta quinta-feira enquanto se aguardava o veredicto da corte, como prevenção contra qualquer tipo de violência entre muçulmanos de hindus.

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