Índia descarta diálogo com Paquistão

A Índia descartou nesta segunda-feira qualquer diálogo com o Paquistão no futuro próximo por não ter havido nenhuma mudança de atitude em Islamabad contra o terrorismo. A decisão ocorre em meio a pesados ataques com projéteis morteiros e fogo de artilharia na fronteira que, segundo funcionários indianos, deixou hoje pelo menos 22 pessoas mortas - entre militantes islâmicos, soldados paquistaneses e civis indianos, em diferentes episódios. Os ataques fazem crescer as ameaças de guerra entre as duas potências nucleares rivais. O chanceler indiano Jaswant Singh disse que as conversações com o Paquistão foram suspensas porque Islamabad não fez o suficiente para conter os ataques de militantes islâmicos na Índia. "Onde há lugar para o diálogo, se não existe uma mudança de atitude?", declarou Singh. "Eles continuam mantendo atitudes muito diversas ao tratarem dos interesses ocidentais no Afeganistão e quando tratam do terrorismo na Índia e na região de Jammu-Caxemira", disse Singh aos repórteres ao final de uma reunião do Comitê de Segurança do gabinete. "Isto não é aceitável para a Índia". Jammu-Caxemira é o único estado indiano em que predominam os muçulmanos e foi foco de duas guerras anteriores entre Índia e Paquistão. No domingo, os líderes dos dois países terminaram sua participação na reunião dos países do Sul da Ásia sem dar sinais de terem amenizado o impasse. Missão - Em uma missão para aliviar as tensões entre a Índia e o Paquistão, o primeiro-ministro britânico Tony Blair encerrou hoje três dias de visita a Nova Délhi, dirigindo-se ao Paquistão. A expectativa é que Blair pressione o presidente paquistanês, Pervez Musharraf, a condenar o terrorismo no Sul da Ásia e a intensificar as ações de seu governo contra os militantes islâmicos que operam no Paquistão. Falando em uma entrevista à imprensa no domingo ao lado do primeiro-ministro indiano Atal Bihari Vajpayee, Blair condenou os ataques na Índia em um tom mais enérgico do que o até então utilizado por um líder ocidental. Washington tem adotado uma política mais amena para tratar com os dois rivais sul-asiáticos, já que necessita do apoio de Islamabad em sua guerra contra o terrorismo no vizinho Afeganistão. Ataque - A tensão entre a Índia e o Paquistão cresceu depois do ataque suicida de 1º de outubro contra a sede da assembléia estadual de Jammu-Caxemira, no qual 40 pessoas morreram. Em 13 de dezembro, um ataque suicida contra a sede do Parlamento indiano matou mais 14 pessoas. Nova Délhi acusou o serviço de inteligência do Paquistão como responsável por esse ataque, que levou os dois rivais à beira de uma guerra, com o deslocamento de milhares de soldados de ambos os lados para a linha fronteiriça de 1.800 km entre os dois países. A Índia deu ao Paquistão uma lista de 20 "terroristas" cuja extradição é pedida por Nova Délhi. "Houve vários alertas vermelhos da Interpol contra essas pessoas", disse Singh. Hoje, o chanceler israelense Shimon Peres trocou pontos de vista com líderes indianos em Nova Délhi sobre a luta contra o terrorismo. "O mundo não está dividido entre Leste e Oeste", disse Peres. O mundo agora tem nova divisão: os países que abrigam o terrorismo e os países que combatem o terrorismo". O tiroteio fronteiriço se intensificou após soldados indianos anunciarem no domingo que haviam abatido um avião-espião paquistanês. O Paquistão acusou a queda de um avião não-tripulado.

Agencia Estado,

07 Janeiro 2002 | 15h20

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