Índia divulga identidades e diz que terroristas são paquistaneses

Governo indiano mostra imagens de oito dos nove extremistas mortos pela polícia durante o cerco em Mumbai

Agências internacionais,

09 de dezembro de 2008 | 13h38

A polícia indiana divulgou nesta terça-feira, 9, a identidade e fotografias de nove supostos extremistas islâmicos mortos durante os ataques perpetrados contra Mumbai (ex-Bombaim) em novembro. O diretor de investigação da polícia local, Rakesh Maria, divulgou a identidade e os apelidos dos nove suspeitos e afirmou que todos eram do Paquistão.   Veja também: Paquistão não entregará suspeitos por ataques à Índia Zardari pede moderação antes de acusações   Gilles Lapouge: Taleban ganha força nas aldeias   Incêndio atinge andar de hotel alvo de atentados em Mumbai   Mariamostrou fotografias de oito homens e explicou que as imagens do nono suspeito não foram tornadas públicas porque o corpo estava muito queimado. Ele não revelou, no entanto, como a polícia localizou a cidade natal de cada um. O único sobrevivente entre os extremistas que promoveram os ataques vem sendo interrogado pela polícia.   A Índia atribuiu o ataque ao grupo extremista paquistanês Lashkar-e-Taiba e exigiu de Islamabad que tome atitudes. Mais de 170 pessoas morreram nos ataques a Mumbai. O Paquistão afirmou nesta terça-feira que não entregará nenhum suspeito pelos ataques em Mumbai às autoridades indianas. As autoridades paquistanesas anunciaram a prisão de 15 pessoas, em uma operação contra uma organização de caridade islâmica ligada ao Lashkar.   Nova Délhi várias vezes acusou o linha-dura Lashkar de estar por trás dos ataques do mês passado. Agressores com granadas e outros armamentos atacaram em vários pontos da capital financeira da Índia. A tensão cresceu entre os vizinhos - ambos com armas nucleares - após o incidente. A Índia exigiu que o Paquistão entregue os suspeitos. Porém o ministro das Relações Exteriores, xá Mehmood Qureshi, disse que isso está fora de cogitação. "As prisões foram feitas para nossas próprias investigações. Mesmo se as alegações forem comprovadas contra qualquer suspeito, ele não será entregue para a Índia", afirmou Qureshi. "Nós procederemos contra aqueles presos de acordo com a lei paquistanesa."   Índia e Paquistão lutaram três guerras desde a independência de ambos da Grã-Bretanha, em 1947. Um quarto confronto ficou perto de ocorrer em 2001, após um ataque ao Parlamento indiano atribuído ao Lashkar-e-Taiba, que significa Exército dos Pios. Sob pressão internacional para agir após os ataques em Mumbai, o Paquistão realizou no domingo uma operação em um campo controlado pelo grupo de caridade Jammat-ud-Dawa e prendeu 15 pessoas. Muitos acreditam que essa organização seja ligada ao Lashkar. O Jammat é chefiado pelo fundador do Lashkar, Hafiz Saeed.   O Lashkar foi banido do Paquistão, mas a Índia acusa o vizinho por não combater o grupo, estabelecido para lutar contra o governo indiano na região da Caxemira. Nova Délhi também afirma que o Lashkar teve ligações com o serviço de inteligência do Paquistão e com a Al-Qaeda. O ministro das Relações Exteriores paquistanês disse que o país não quer uma guerra, mas está pronto para se defender, caso seja necessário. "Nós não queremos a guerra, mas estamos totalmente preparados caso a guerra seja imposta a nós", afirmou Qureshi.   Autoridades paquistanesas dizem estar interrogando um 16º suspeito, Zaki-ur-Rehman Lakhvi, preso no sábado. A mídia indiana disse que o único sobrevivente dos ataques em Mumbai citou Lakhvi como um dos principais mentores dos atentados.

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