Índia e Paquistão discutem a Caxemira

Com a disputa de décadas sobre a região da Caxemira no topo da pauta de negociações, os líderes da Índia e do Paquistão iniciaram um histórico encontro de três dias hoje, programado para abrandar as tempestuosas relações entre as duas potências nucleares rivais. Mas, em um nítido sinal de mudança, forças indianas e paquistanesas trocaram tiros hoje, pela primeira vez neste ano, através da linha de cessar-fogo que divide a região da Caxemira, e pelo menos cinco pessoas foram mortas em tiroteios distintos, do lado indiano. Os dois lados acusaram-se pela troca de tiros, que começou na sexta-feira à noite e terminou na manhã deste sábado, logo após a chegada do presidente paquistanês, Pervez Musharraf, a Nova Délhi. Os dois Exércitos vinham trocando tiros regularmente até dezembro, quando entrou em vigor uma trégua não-oficial. Logo após sua chegada à capital indiana, Musharraf disse que era necessário solucionar a disputa sobre a Caxemira, para viabilizar a normalização total das relações indo-paquistanesas. "Durante mais de meio século, a disputa da Caxemira ensombreceu as relações" entre os dois países, disse Musharraf, que amanhã inicia conversações com o primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, na cidade de Agra, onde fica o famoso Taj Mahal. Contudo, o governo indiano insiste que as negociações devem ser retomadas a partir da fracassada reunião de Lahore, de 1998, e devem tratar de temas como comércio, terrorismo, controle conjunto do tráfico de drogas e medidas para evitar um acidente nuclear.

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