Índia e Paquistão dizem estar lutando contra o terror

Sob intensa pressão internacional para impedir que seu conflito se transforme numa guerra aberta, os líderes do Paquistão e da Índia garantiram hoje (03) que seu objetivo é combater o terrorismo - e recusaram-se a amenizar sua dura posição em relação à disputada Caxemira. O primeiro-ministro indiano, Atal Bihari Vajpayee, e o presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, reuniram-se separadamente hoje com o presidente casaque, Nursultan Nazarbayev, às vésperas de uma conferência asiática sobre segurança dominada por esforços visando levar as duas potências nucleares a conversarem diretamente. O presidente russo, Vladimir Putin, e seu colega chinês, Jiang Zemin, pretendem se encontrar separadamente amanhã com Musharraf e Vajpayee, garantindo que, mesmo que os dois se recusem a falar frente-a-frente, suas mensagens serão entregues por intermediários. A tentativa de mediação parece ter sido coordenada entre os Estados Unidos, Rússia e China. Quando Putin convidou os dois líderes a conversarem em Almaty, o presidente americano, George W. Bush, estava a seu lado. E líderes da Otan assumiram uma posição incomum de apontar Putin como o enviado da aliança ocidental para transmitir suas preocupações em relação a uma guerra a Musharraf e Vajpayee. Enquanto isso, a violência prosseguiu hoje na Caxemira. Pelo menos oito civis foram mortos e 23 feridos em troca de artilharia entre a Índia e o Paquistão ao longo de suas fronteiras. Depois de desembarcar na capital casaque, Musharraf reiterou sua disposição de se encontrar com Vajpayee. Perguntado quais eram suas condições para tal encontro, Musharraf respondeu: "Você deve fazer esta pergunta ao primeiro-ministro Vajpayee. Quais são as suas condições? Eu não imponho qualquer condição". Mas, até agora, Vajpayee tem se recusado a ceder, exigindo que primeiro, o Paquistão tem de provar que retirou apoio a militantes islâmicos e bloqueou incursões fronteiriças à parte indiana da Caxemira. "Decidimos que neste momento seria impossível para qualquer um no governo indiano dialogar com qualquer um da delegação paquistanesa", explicou hoje Omar Abdullah, o vice-chanceler indiano, a repórteres em Almaty.Enquanto isso, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, disse ter encorajado Musharraf este fim de semana para "conter todas atividades em torno da linha de controle". "Quando isso ocorrer de forma que fique claro... então poderemos pedir à Índia para assumir posições para acalmar a tensão", disse hoje Powell. E acrescentou: "Estou satisfeito porque os dois lados discutiram mais uma vez nos últimos dias a não-utilização de armas nucleares". Em seus esforços para aliviar a tensão, o secretário de Defesa dos EUA, Donald H. Rumsfeld, deve chegar à região neste fim de semana, e o subsecretário de Estado Richard Armitage visitará o Paquistão na quinta-feira e a Índia na sexta. Sem mencionar nominalmente o Paquistão, Vajpayee disse ter concordado com Nazarbayev sobre como combater o terrorismo no Sul da Ásia, que ele atribuiu a "infiltrações fronteiriças". A Índia afirma que militantes islâmicos vindos do Paquistão promoveram ataques terroristas, incluindo um assalto ao Parlamento indiano em dezenbro e a uma base indiana na Caxemira no mês passado, que deixaram 34 mortos, a maioria mulheres e crianças de militares. Mas o ministro da Informação paquistanês, Nisar Memon, insistiu hoje em que os militantes não saíram da parte da Caxemira controlada por seu país. "Negamos que haja campos de terroristas e que haja terrorismo fronteiriço contra a Índia. Nós intensificamos a vigilância na Linha de Controle", garantiu, referindo-se à linha de cessar-fogo de 1972 que divide a região himalaia entre a Índia e o Paquistão. As duas nações reivindicam toda a região, e já travaram duas de suas três guerras por ela. "Não toleraremos qualquer ato de violência contra a Índia. Não permitiremos que nosso solo seja usado para atividades terroristas contra qualquer país", disse Memon, destacando que o Paquistão também tem sofrido com o terrorismo. A troca de declarações ocorreu enquanto líderes mundiais pressionam os líderes da Índia e do Paquistão para conterem sua retórica belicista e conversarem em Almaty. A Rússia tem sido um aliado próximo da Índia desde a era soviética, e tem tido uma relação tumultuada com o Paquistão - acusando-o poucos anos atrás de colaborar com rebeldes chechenos. O histórico foi reforçado hoje, quando o ministro da Defesa russo, Sergei Ivanov, criticou Islamabad por sua suposta ajuda a terroristas. O Ministério da Defesa indiano tentou hoje conter preocupações internacionais sobre o perigo de o atual conflito escalar para uma guerra nuclear. "O governo deixa claro que a Índia não acredita no uso de armas nucleares. Nem contempla que elas possam ser usadas por qualquer outro país", afirmou o ministério num comunicado divulgado hoje em Nova Délhi. "A Índia descarta categoricamente o uso de armas nucleares." Falando na noite de domingo à tevê estatal russa RTR, Musharraf garantiu que o arsenal nuclear de seu país está em mãos seguras. "Dou total garantia à comunidade internacional de que temos organizado um comando nacional que fiscaliza (as armas nucleares). Deixe-me garantir a todo o mundo que nossas armas nucleares estão em mãos extremamente seguras e não existe vulnerabilidade", disse Musharraf. Índia e Paquistão dizem estar lutando contra o terror ALMATY, Casaquistão, 03 (AE-AP) - Sob intensa pressão internacional para impedir que seu conflito se transforme numa guerra aberta, os líderes do Paquistão e da Índia garantiram hoje (03) que seu objetivo é combater o terrorismo - e recusaram-se a amenizar sua dura posição em relação à disputada Caxemira. O primeiro-ministro indiano, Atal Bihari Vajpayee, e o presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, reuniram-se separadamente hoje com o presidente casaque, Nursultan Nazarbayev, às vésperas de uma conferência asiática sobre segurança dominada por esforços visando levar as duas potências nucleares a conversarem diretamente. O presidente russo, Vladimir Putin, e seu colega chinês, Jiang Zemin, pretendem se encontrar separadamente amanhã com Musharraf e Vajpayee, garantindo que, mesmo que os dois se recusem a falar frente-a-frente, suas mensagens serão entregues por intermediários. A tentativa de mediação parece ter sido coordenada entre os Estados Unidos, Rússia e China. Quando Putin convidou os dois líderes a conversarem em Almaty, o presidente americano, George W. Bush, estava a seu lado. E líderes da Otan assumiram uma posição incomum de apontar Putin como o enviado da aliança ocidental para transmitir suas preocupações em relação a uma guerra a Musharraf e Vajpayee. Enquanto isso, a violência prosseguiu hoje na Caxemira. Pelo menos oito civis foram mortos e 23 feridos em troca de artilharia entre a Índia e o Paquistão ao longo de suas fronteiras. Depois de desembarcar na capital casaque, Musharraf reiterou sua disposição de se encontrar com Vajpayee. Perguntado quais eram suas condições para tal encontro, Musharraf respondeu: "Você deve fazer esta pergunta ao primeiro-ministro Vajpayee. Quais são as suas condições? Eu não imponho qualquer condição". Mas, até agora, Vajpayee tem se recusado a ceder, exigindo que primeiro, o Paquistão tem de provar que retirou apoio a militantes islâmicos e bloqueou incursões fronteiriças à parte indiana da Caxemira. "Decidimos que neste momento seria impossível para qualquer um no governo indiano dialogar com qualquer um da delegação paquistanesa", explicou hoje Omar Abdullah, o vice-chanceler indiano, a repórteres em Almaty.Enquanto isso, o secretário de Estado dos EUA, Colin Powell, disse ter encorajado Musharraf este fim de semana para "conter todas atividades em torno da linha de controle". "Quando isso ocorrer de forma que fique claro... então poderemos pedir à Índia para assumir posições para acalmar a tensão", disse hoje Powell. E acrescentou: "Estou satisfeito porque os dois lados discutiram mais uma vez nos últimos dias a não-utilização de armas nucleares". Em seus esforços para aliviar a tensão, o secretário de Defesa dos EUA, Donald H. Rumsfeld, deve chegar à região neste fim de semana, e o subsecretário de Estado Richard Armitage visitará o Paquistão na quinta-feira e a Índia na sexta. Sem mencionar nominalmente o Paquistão, Vajpayee disse ter concordado com Nazarbayev sobre como combater o terrorismo no Sul da Ásia, que ele atribuiu a "infiltrações fronteiriças". A Índia afirma que militantes islâmicos vindos do Paquistão promoveram ataques terroristas, incluindo um assalto ao Parlamento indiano em dezenbro e a uma base indiana na Caxemira no mês passado, que deixaram 34 mortos, a maioria mulheres e crianças de militares. Mas o ministro da Informação paquistanês, Nisar Memon, insistiu hoje em que os militantes não saíram da parte da Caxemira controlada por seu país. "Negamos que haja campos de terroristas e que haja terrorismo fronteiriço contra a Índia. Nós intensificamos a vigilância na Linha de Controle", garantiu, referindo-se à linha de cessar-fogo de 1972 que divide a região himalaia entre a Índia e o Paquistão. As duas nações reivindicam toda a região, e já travaram duas de suas três guerras por ela. "Não toleraremos qualquer ato de violência contra a Índia. Não permitiremos que nosso solo seja usado para atividades terroristas contra qualquer país", disse Memon, destacando que o Paquistão também tem sofrido com o terrorismo. A troca de declarações ocorreu enquanto líderes mundiais pressionam os líderes da Índia e do Paquistão para conterem sua retórica belicista e conversarem em Almaty. A Rússia tem sido um aliado próximo da Índia desde a era soviética, e tem tido uma relação tumultuada com o Paquistão - acusando-o poucos anos atrás de colaborar com rebeldes chechenos. O histórico foi reforçado hoje, quando o ministro da Defesa russo, Sergei Ivanov, criticou Islamabad por sua suposta ajuda a terroristas. O Ministério da Defesa indiano tentou hoje conter preocupações internacionais sobre o perigo de o atual conflito escalar para uma guerra nuclear. "O governo deixa claro que a Índia não acredita no uso de armas nucleares. Nem contempla que elas possam ser usadas por qualquer outro país", afirmou o ministério num comunicado divulgado hoje em Nova Délhi. "A Índia descarta categoricamente o uso de armas nucleares." Falando na noite de domingo à tevê estatal russa RTR, Musharraf garantiu que o arsenal nuclear de seu país está em mãos seguras. "Dou total garantia à comunidade internacional de que temos organizado um comando nacional que fiscaliza (as armas nucleares). Deixe-me garantir a todo o mundo que nossas armas nucleares estão em mãos extremamente seguras e não existe vulnerabilidade", disse Musharraf.

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