Índia e Vietnã preparam-se para defender área disputada com China

Países protestam contra a intenção de Pequim de deter barcos que estiverem de 'forma irregular' no Mar do Sul da China

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

05 de dezembro de 2012 | 02h07

O governo do Vietnã anunciou ontem que intensificará patrulhas para proteger seus barcos de pesca de eventuais agressões chinesas no Mar do Sul da China, enquanto a Marinha da Índia afirmou que está pronta para defender os interesses econômicos do país na região, onde reivindicações territoriais de Pequim se chocam com as de nações vizinhas.

A China adotou uma posição agressiva na disputa com o Vietnã sobre as ilhas Spratly e Paracel, que foram incluídas como território chinês no mapa estampado em passaportes emitidos a partir de maio. Na quinta-feira, Pequim anunciou que suas patrulhas passariam a abordar e deter embarcações que estivessem de maneira supostamente irregular no Mar do Sul da China.

"As ações do lado chinês violaram a soberania do Vietnã sobre os dois arquipélagos", afirmou em nota o porta-voz da chancelaria vietnamita, Luong Thanh Nghi. Na segunda-feira, a estatal Petrovietnã acusou barcos chineses de cortarem cabos de um de seus navios de exploração, em um ato que classificou inicialmente de "sabotagem". Ontem, representantes da companhia afirmaram que o rompimento dos cabos foi "acidental".

As Filipinas também protestaram contra o anúncio da China de que passaria a abordar e deter navios estrangeiros na região, onde outros governos reivindicam soberania, entre os quais Taiwan, Brunei, Indonésia e Malásia. A Índia não está entre as nações diretamente envolvidas nos conflitos, mas sua companhia estatal de petróleo tem operações em área concedida pelo Vietnã, mas disputada por Pequim. Além disso, o Mar do Sul da China é a segunda rota marítima mais usada no mundo, pela qual passa parte significativa do suprimento de petróleo global.

O chefe da Marinha indiana, almirante D.K.Joshi, disse ontem que sua Força tem a obrigação de garantir os "interesses soberanos" do país caso eles sejam ameaçados no mar. Ele afirmou que a Índia tem duas preocupações no Mar do Sul da China: garantir a liberdade de navegação de todos os países de acordo com a legislação internacional e proteger os interesses econômicos indianos na área. Além da importância estratégica como rota comercial global, o Mar do Sul da China tem grandes reservas de petróleo e gás, o que aumenta seu interesse econômico.

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