Altaf Qadri/AP
Altaf Qadri/AP

Índia executa 4 condenados por estupro coletivo que chocou o país em 2012

Homens estupraram e torturaram uma estudante de fisioterapia de 23 anos dentro de um ônibus; ela morreu 13 dias depois

Redação, O Estado de S.Paulo

19 de março de 2020 | 22h35

NOVA DÉLHI - A Índia executou na sexta-feira, 20 (quinta-feira no Brasil) os quatro condenados por tortura e estupro de uma jovem estudante que estava em um ônibus. O crime, que aconteceu em 2012, chocou o país e provocou mudanças na legislação. Esta é a primeira vez que a Índia aplica a pena de morte desde 2015.

Pawan Gupta, Vinay Sharma, Mukesh Singh e Akshay Thakur foram enforcados simultaneamente às 05h30, no horário local, na prisão de Tihar, na capital indiana.

"Eles finalmente os enforcaram, foi uma longa luta. Hoje obtivemos justiça, que dedicamos a todas as filhas do país. Obrigada aos juízes e ao governo", disse à mídia a mãe da vítima, Asha Devi, minutos após a execução.

A televisão NDTV mostrou ao vivo, às 5h30, horário local, a explosão de alegria entre as dezenas de pessoas reunidas em frente aos portões da prisão, exibindo cartazes como "Agradeça aos juízes".

Os quatro condenados tentaram, sem sucesso, interromper a execução, inicialmente prevista para 22 de janeiro, apresentando petições de clemência e esgotando todos os recursos legais à sua disposição.

Na última tentativa de evitar a execução, os advogados de Gupta recorreram na Suprema Corte na quinta-feira, 19, contra a rejeição de seu pedido de clemência perante o presidente indiano Ram Nath Kovind. O recurso foi rejeitado pelo mais alto órgão judicial nesta manhã.

Relembre o crime

Uma estudante de fisioterapia de 23 anos, batizada pela mídia "Nirbhaya" ("Destemida", em hindi), foi estuprada e torturada por seis homens em 16 de dezembro de 2012 em um ônibus em Nova Délhi, quando retornava para casa junto com um amigo após assistir a um filme em um cinema. A jovem morreu dos ferimentos 13 dias depois, em um hospital de Cingapura.

Quatro dos acusados ​​foram condenados à morte em 2013, enquanto um quinto cometeu suicídio no mesmo ano na prisão, de acordo com a versão oficial, e o sexto, que era menor quando os eventos ocorreram, foi mantido por três anos em uma instituição correcional juvenil.

O caso desencadeou uma onda de indignação sem precedentes no país asiático, que reforçou sua legislação contra agressão sexual.

Esta é a primeira execução na Índia em cinco anos. Na última, o Estado enforcou Yekub Memon por seu envolvimento nos ataques terroristas que mataram 257 pessoas em Bombaim em 1993. /EFE

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