Índia fecha acordo com Rússia e se abastece de urânio

Índia terá fornecimento de 60 toneladas de urânio para suprir parcialmente sua necessidade de combustível nuclear, graças a um acordo selado com a Rússia anunciado nesta sexta-feira. A Rússia e a Índia chegaram ao acordo apesar da rejeição de Washington, que pediu que a Índia cumpra as condições da parceria alcançada recentemente com os Estados Unidos para ter acesso a combustível nuclear. Os EUA se recusaram a vender urânio à Índia, após alegar que as centrais de Tarapur ainda não haviam sido abertas a inspeções internacionais. As centrais de Tarapur estavam sem combustível, e a Índia respondeu que a venda será feita sob a cláusula de exceção de segurança estabelecida pelas normas do grupo de países fornecedores de energia atômica. A cláusula permite a venda do material nuclear caso as centrais fiquem sem urânio, por causa do perigo relativo à falta de combustível nos reatores. A Índia assinou com os EUA há algumas semanas um acordo pelo qual receberá tecnologia nuclear civil, incluindo reatores e combustível, em troca de separar suas centrais nucleares em dois grupos: as que têm finalidade civil e as que têm função militar. Bush enviou ontem a proposta ao Congresso americano, onde encontrou relativa oposição de alguns parlamentares, que querem mais informações sobre o acordo antes de dar a aprovação. Seus críticos argumentam que premiar com tecnologia um país não signatário do Tratado de Não-Proliferação Nuclear (TNP) pode estimular outras nações a iniciar programas nucleares. O ministro das Relações Exteriores do Paquistão, Kursheed Kasuri, reclamou que seu país não recebeu o mesmo tratamento que a Índia por parte dos EUA. Em entrevista publicada nesta sexta-feira, Kasuri disse que, quando o acordo entre Índia e EUA for aprovado definitivamente, "o Tratado de Não-Proliferação Nuclear estará acabado". Em sua recente visita a Islamabad, Bush negou o pedido do presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, de conceder a mesma cooperação oferecida à Índia, e alegou que "são países com histórias diferentes e necessidades diferentes". O primeiro-ministro australiano, John Howard, que visitou a Índia recentemente, afirmou hoje que seu país não venderá urânio a Nova Délhi seguindo sua política de não fornecer urânio aos países não signatários do TNP. Howard informou, no entanto, que a Austrália, que tem 40% das reservas mundiais de urânio, enviará uma equipe de cientistas à Índia para mais investigações sobre o acordo entre Índia e EUA no âmbito nuclear. O primeiro-ministro da Índia, Manmohan Singh, expressou hoje sua confiança de que a Índia e a Rússia expandirão sua cooperação no campo da energia nuclear civil, já que prevêem "um aumento considerável na cota de energia nuclear" em relação às produzidas por outras fontes. Em outras ocasiões, quando o material nuclear das usinas de Tarapur acabaram, a Rússia ou a França forneceram combustível aos reatores. A energia nuclear na Índia A Índia tem 14 reatores nucleares que produzem energia nuclear para fins civis, mas a energia elétrica fornecida por estas centrais representa apenas 3% do consumo nacional. No entanto, o governo indiano espera que, até 2050, 25% da energia consumida nO país seja de origem nuclear. Em meio a um processo de abertura econômica e de rápido crescimento, a Índia está ávida por energia, e por isso iniciou vários projetos para suprir esta necessidade. Além das 14 centrais nucleares civis, Nova Délhi mantém outras nove em construção. O país não tem grandes reservas de urânio, mas espera que seus grandes depósitos de tório - também usado como combustível nuclear -, que representam 25% do total mundial, sirvam para alimentar sua rede de reatores.

Agencia Estado,

17 Março 2006 | 11h29

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