Índia inicia eleições em meio a ampla divisão

Votação ocorrerá em 5 etapas e terá duração de um mês; nenhum partido deve obter maioria

, O Estadao de S.Paulo

16 de abril de 2009 | 00h00

A Índia inicia hoje a primeira etapa de suas eleições gerais em meio a um cenário profundamente fragmentado e afetado pela desaceleração econômica. Durante um mês, 714 milhões de indianos devem comparecer às urnas para escolher 543 deputados da Assembleia Popular, que representarão 35 Estados e territórios. Leia mais sobre as etapas do processo eleitoral da ÍndiaMilhares de soldados foram mobilizados ontem em várias regiões da Índia para manter a ordem durante a votação de hoje em 17 Estados - a primeira de um processo de cinco etapas que vai até o dia 13. Os resultados finais devem ser divulgados apenas daqui a um mês."Tomamos todas as precauções necessárias para garantir eleições pacíficas, livres e justas", disse o diretor-geral da polícia A. K. Mohanty.A votação contará com observadores internacionais em 828 mil colégios eleitorais espalhados por todo o território do país, que tem 1,17 bilhão de habitantes divididos entre as comunidades hindus (80,5%), muçulmanas (13,5%), cristãs (2,3%) e sikhs (1,9%).A aliança de centro-esquerda liderada pelo governista Partido do Congresso - presidido por Sonia Gandhi - luta pela reeleição contra um grupo liderado pelo nacionalista hindu Partido Bharatiya Janata (BJP) e uma terceira frente de partidos regionais e comunistas.De acordo com pesquisas de opinião, nenhum dos dois principais partidos deve obter cadeiras suficientes no Parlamento para formar um governo independente. A legenda que receber mais votos provavelmente terá de negociar um governo de coalizão com dezenas de partidos menores - dos quais a maioria concentra-se em interesses regionais.DIVISÃO REGIONAL"Como o eleitorado e o tabuleiro político estão totalmente fragmentados, os partidos regionais dominarão essas eleições, principalmente em Estados como Uttar Pradesh (norte), Andhra Pradesh e Tamil Nadu (sul)", explicou Gilles Verniers, pesquisador do Instituto de Estudos Políticos de Paris.Apesar de o Congresso e o BJP fazerem campanha sobre questões de interesse nacional - o impacto da recessão chegada do Ocidente, a luta contra a pobreza, o desenvolvimento das infraestruturas e a educação ou a luta contra o terrorismo - "as questões regionais e locais determinarão o voto", disse Verniers. Já o analista Neerja Chowdhury afirmou que a Índia precisa de um poder "sólido e experiente" em um momento em que sua economia se desacelera e suas instituições são afetadas pelo terrorismo - como ocorreu no ano passado nos atentados coordenados de Mumbai. O PIB indiano teve nos últimos três anos um crescimento médio de 9%, mas no último trimestre de 2008 caiu para 5,3%. Por causa da queda das exportações, cerca de 1,5 milhão de pessoas perdeu o emprego no segundo semestre de 2008 nos setores de artesanato e têxtil, segundo dados oficiais.AP, AFP E EFE

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