Índia lembra morte de Mahatma Gandhi com cinzas lançadas ao mar

Parte das cinzas de Mohandas K.Gandhi, líder independentista da Índia e um ícone mundial daluta pela paz, foi depositada no mar por uma bisneta dele,nesta quarta-feira, dia em que o país lembrou os 60 anos doassassinato de Gandhi. O líder da independência indiana, conhecido também comoMahatma (ou a "Grande Alma"), foi morto a tiros por umextremista hindu em 1948, após participar de uma celebraçãoreligiosa em Nova Délhi. Urnas contendo as cinzas do corpocremado dele espalharam-se entre seguidores de todo o país paraserem colocadas em memoriais. Na quarta-feira, uma dessas urnas foi atirada nas águas quebanham Mumbai por uma neta do filho mais velho de Gandhi,Harilal, que esteve afastado do pai até a morte dele e que nãoparticipou dos funerais do líder pacifista. Mas, em um gesto simbólico de superação daquela desavença,decidiu-se dar à família de Harilal a oportunidade departicipar de algum tipo de rito funerário de Gandhi. A conturbada relação de Harilal com o pai ilustre foitransformada em tema de vários livros, filmes e peças deteatro. Harilal converteu-se ao islamismo, aparentemente parairritar o pai. O filho mais velho de Gandhi, segundo relatos,desentendeu-se com o pai porque este não quis enviá-lo paraestudar no exterior. Pobre e alcoólatra, Harilal morreu sozinhoem um estado extremo de penúria depois de passar seus últimosdias de vida morando nas ruas de Mumbai. "Hoje é um dia emocionante para nós", disse Neelam Parikh,75, neta de Harilal, após atirar as cinzas de Gandhi no mar. Observando as tradições hindus, a urna com as cinzas foilevada para o mar da Arábia em um barco decorado. Antes, haviasido carregada durante uma pequena passeata que saiu do museuonde era mantida. O dono da urna entregou-a para o museu Mani Bhawan GandhiSangralaya para que ficasse em exposição, mas a família deGandhi protestou e exigiu que as cinzas fossem depositadas nomar. Dhirubhai Mehta, um funcionário do museu, afirmou serimpossível dizer quantas urnas com as cinzas de Gandhi aindaexistem. O dia dos 60 anos da morte do líder indiano foi marcado porcelebrações religiosas em toda o território indiano. Uma grandecerimônia ocorreu na casa onde Gandhi foi morto, meses depoisde ter liderado a Índia no processo pelo qual o país, em umaluta pacifista, libertou-se do domínio britânico.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.