Índia liberta centenas de reféns; cinco morrem em centro judaico

Mais de 48 horas após ataques, um único terrorista ainda desafiava os militares ao resistir à ofensiva no Taj Mahal

AP, REUTERS E GUARDIAN, O Estadao de S.Paulo

29 de novembro de 2008 | 00h00

Depois de três dias de intensos confrontos entre terroristas e a elite do Exército e da Marinha da Índia, o drama que tomou conta de Mumbai (ex-Bombaim) se aproximava ontem do fim. Após os atentados coordenados que paralisaram a capital financeira da Índia e deixaram cerca de 160 mortos e 370 feridos, os militares pareciam ter retomado o controle de dois dos três pontos que ainda estavam tomados por militantes - o Hotel Oberoi e o centro judaico localizado na Casa Nariman. O cerco ao Hotel Taj Mahal, porém, continuava.   Acompanhe a repercussão dos atentadosOs militares invadiram o centro judaico da organização Chabad Lubavitch na madrugada de ontem, depois de utilizar cordas presas em um helicóptero para descer na parte superior do prédio. Após várias horas de tiroteio e explosões, as forças de segurança afirmaram ter encontrado sete mortos - cinco reféns e dois terroristas. Entre as vítimas civis estava o rabino americano Gavriel Holtzberg e sua mulher, Rivka. O filho do casal, de 18 meses, conseguiu escapar da tragédia ao ser resgatado na quinta-feira por um empregado. O menino foi entregue aos avós.No Hotel Oberoi, 143 reféns foram resgatados, mas pelo menos 24 corpos foram encontrados dentro do prédio. No Taj Mahal, a batalha continuava entre forças de segurança e um único terrorista. O militante cortou a energia elétrica dos últimos andares do prédio, onde se refugiava utilizando alguns reféns como escudo.Em meio à grande pressão para encontrar os responsáveis pelos ataques, o governo indiano afirmou ter certeza de que os terroristas são do Paquistão. "Informações preliminares indicam que alguns elementos no Paquistão são responsáveis pelos ataques", afirmou chanceler indiano, Pranab Mukherjee, que, porém, rejeitou divulgar as provas das acusações.O governo paquistanês negou envolvimento e colocou-se à disposição para ajudar nas investigações. O presidente do Paquistão, Asif Ali Zardari, anunciou que enviará o chefe do serviço de inteligência paquistanês para ajudar nas investigações (mais informações na página 22).Uma equipe de investigação do governo americano também está a caminho de Mumbai, informou ontem o Departamento de Estado dos EUA. Além disso, o governo da Grã-Bretanha está investigando se alguns dos terroristas seriam cidadãos britânicos de origem paquistanesa. Até ontem, foi confirmada a morte de pelo menos 14 estrangeiros - entre eles, 3 americanos. Acredita-se que os 25 militantes que participaram dos ataques chegaram a Mumbai de barco.

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