Índia não contém violência e mortos chegam a 415

Desafiando as advertências do primeiro-ministro da Índia, Atal Behari Vajpayee, e o toque de recolher imposto em 37 cidades, novos choques entre hindus e muçulmanos ocorreram neste sábado no Estado de Gujarat, elevando para mais de 400 o total de mortos desde o início dos incidentes na última terça-feira. De acordo com autoridades locais, o número oficial de mortos é de 415.A última explosão de violência ocorreu nas últimas horas da noite de sexta-feira em Sadarpur, povoado próximo de Ahmedabad - principal centro comercial de Gujarat. Ali, 30 muçulmanos acabaram sendo queimados vivos por furiosos grupos de hindus, vindos de povoados vizinhos.O novo conflito religioso - considerado já o mais grave em uma década - teve origem num ataque liderado por extremistas muçulmanos a um trêm lotado de nacionalistas hindus, no início da semana na estação de Godra (Gujarat). Cinqüenta e oito hindus - entre os quais mulheres e crianças - morreram calcinados.Os hindus regressavam de uma peregrinação à cidade de Ayodhya, onde, sob protesto dos muçulmanos, constróem um templo sobre as ruínas de uma mesquita do século 16. Esse templo foi destruído por hindus em 1992 em conseqüência de choques entre as partes, que deixaram mais de 2.000 mortos.Segundo a agência noticiosa indiana Press Trust of India (PTI) participaram do assalto a Sadarpur cerca de 10.000 hindus. "A multidão, portando butijões de gás, invadiu a aldeia e ateou fogo em lojas e casas", destacou um repórter da agência.Outros 300 muçulmanos conseguiram escapar das chamas graças à intervenção da polícia, que na maior parte de Gujarat (Estado natal do Mahatma Gandhi, pai da independência da Índia e símbolo mundial da não-violência), tem sido impotente para evitar o linchamento de muçulmanos.Segundo fontes policiais, também foram queimados vivos oito muçulmanos que trabalhavam numa padaria da Vadodra (na região leste de Gujarat). Idênticos atos de violência ocorreram também em Surat e Bhavnagar.O primeiro-ministro Vajpayee voltou hoje a manifestar confiança na atuação da polícia, apoiada pelo Exército, para o restabelecimento da ordem. Vajpayee, cuja demissão é exigida pela oposição que o acusa de "incapaz", lamentou o impacto da explosão de violência sobre a imagem do país no exterior.Na Caxemira indiana (Estado de maioria muçulmana), voltaram a ocorrer choques entre tropas do Exército indiano e separatistas muçulmanos que lutam pela anexação do território ao islâmico Paquistão. Segundo a agência PTI, pelo menos 12 pessoas morreram nos choques, entre as quais duas mulheres e três crianças.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.