Índia não descarta ligação de ataque com Al Qaeda

Doze pessoas morreram e 27 ficaram feridas ontem num ataque terrorista (provavelmente desfechado por extremistas muçulmanos) ao Parlamento indiano onde estavam, no momento, 300 deputados, incluindo o primeiro-ministro Atal Behari Vajpayee e a líder oposicionista Sonia Gandhi.Nenhum político sofreu ferimentos. ?Não foi apenas uma agressão ao Parlamento, mas uma advertência a todo o país?, reagiu Vajpayee. ?Aceitamos o desafio e vamos combater o terrorismo com todos os meios.?Seis extremistas, portando fuzis Kalashnikov, granadas de mão e bombas, jogaram o carro em que estavam contra os portões do edifício. Um deles deixou rapidamente e veículo e detonou uma bomba que levava na cintura.Os outros saíram em seguida, disparando os fuzis e lançando as granadas contra a guarda. Cinco agentes e um jardineiro morreram instantaneamente. Outras 17 pessoas ? 12 policiais e 5 civis ? ficaram feridas.Forças de segurança chegaram rapidamente, travando-se um violento tiroteio que durou mais de uma hora. Todos os atacantes foram mortos.Imagens da batalha foram transmitidas ao vivo para todo o país.A TV indiana exibiu também um videoteipe com uma seqüência de cenas do terrorista que se matou detonando a bomba. Os atacantes usavam uniformes militares. O automóvel usado por eles era roubado e tinha uma placa parlamentar falsa.Encerrado o tiroteio, todos os parlamentares e funcionários foram retirados do edifício. A polícia encontrou no interior uma bomba e várias granadas deixadas pelos atacantes. A bomba foi desativada no local.Nenhum grupo extremista assumiu a autoria. Mas o ministro do Interior, Lal K. Advani, comparou o ataque ao atentado de outubro contra a Assembléia da Caxemira (reivindicado por separatistas muçulmanos), que deixou mais de 40 mortos. A Índia mantém antiga disputa com o Paquistão sobre a Caxemira, de maioria muçulmana. Os separatistas lutam para a anexação do território ao muçulmano Paquistão. A Índia acusa o Paquistão de estimular a dissidência. Os países já travaram duas guerras em 50 anos e ocorrem choques freqüentes ao longo da fronteira.O presidente paquistanês, Pervez Musharaf, apressou-se em condenar o atentado e enviou mensagem de pesar ao governo indiano. Também o Jezbul Mujahedini, principal grupo separatista da Caxemira (com sede no Paquistão) negou qualquer participação no atentado.O ministro do Interior indiano não descarta a existência de vínculos com os atentados de 11 de setembro nos EUA. ?A Índia recebeu avisos de que poderia ser alvo de ataques da Al-Qaeda logo após a queda do regime do Taleban no Afeganistão?, disse.?Parecem mercenários estrangeiros?, acrescentou o vice-ministro do Comércio, Rajeev Rudy. ?Só podem ter vindo do Paquistão.?O primeiro-ministro indiano convocou reunião de emergência do gabinete e reforçou as medidas de segurança em torno das Assembléias Legislativas do país. O ministro do Interior duplicou a guarda nas residências de Vajpayee e Sonia Gandhi.Segundo analistas políticos, o ataque é o mais sério revés dos esquemas de segurança desde o assassinato da primeira-ministra Indira Gandhi em 1984.

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