Índia pode mandar mais navios para combater piratas no Índico

Depois de militares indianos afundarem barco de corsários, jornal diz que Marinha enviará mais 4 embarcações

Agências internacionais,

21 de novembro de 2008 | 08h54

A Marinha indiana pode reforçar suas presença no Golfo do Áden para conter os ataques de piratas contra navios, segundo afirmam jornais indianos nesta sexta-feira, 21. Piratas somalis causaram problemas em uma das maiores rotas marítimas neste ano, seqüestrando dezenas de navios - incluindo o superpetroleiro saudita com um carregamento estimado em US$ 100 milhões.   Veja também: Mapa de todos os ataques reportados   As proporções da embarcação impressionam - o superpetroleiro é três vezes maior do que um porta-aviões americano, por exemplo. A imensidão do navio, porém, é justamente sua fragilidade. Cheio, a embarcação fica a somente 3,5 metros de altura da linha do mar, deslocando-se a cerca de 22 km/h. Na ação, os piratas atracaram na traseira do navio saudita - área que seus radares não cobrem - e facilmente tomaram o convés. "No mundo marítimo, esses superpetroleiros são como as frutas mais baixas das árvores", explica John Brunett, especialista em pirataria moderna. "São alvos fáceis."   Os planos da marinha indiana incluem a ampliação significativa de sua presença na região da Somália, e a proposta é enviar quatro navios para o local, afirmou um alto oficial ao Times of India. Na quarta-feira, uma fragata militar indiana destruiu um dos barcos pesqueiros que vinham sendo usados por piratas somalis para seqüestrar navios e tripulações na costa leste da África. A operação marcou o que pode ser o início de uma contra-ofensiva à ação de corsários que, desde janeiro, já capturaram mais de 90 embarcações e fizeram cerca de 500 reféns, ameaçando uma das principais rotas do comércio marítimo mundial. A fragata INS Tabar abriu fogo contra o barco pirata quando navegava no Golfo de Áden, a 525 quilômetros da costa de Omã.   Países da União Européia e da Ásia anunciaram na quinta o lançamento de uma ofensiva naval de larga escala contra os piratas somalis que já seqüestraram mais de 90 embarcações na costa leste da África desde o começo do ano. A medida, tardia, foi acompanhada por uma resolução unânime do Conselho de Segurança da ONU que prevê sanções contra o já falido Estado da Somália, país de origem da maioria dos corsários.   Embora sugira uma reação coordenada, a medida esconde contradições. Os EUA, que já mantêm navios na região, relutam em apoiar operações militares ofensivas e de resgate. A Rússia, que ontem anunciou o deslocamento de uma frota para o Golfo de Áden, tinha sido a primeira potência a criticar as patrulhas militares em alto-mar, na quarta-feira.   O comandante da Marinha russa, almirante Vladimir Vysotski, anunciou que "enviará navios de guerra de outras frotas para a região", apesar de o embaixador da Rússia na Otan, Dmitri Rogozin, ter expressado opinião discordante sobre a eficácia de ações em alto-mar: "Na verdade, deveria ser feita uma operação costeira para erradicar as bases dos piratas em solo. Todos nós sabemos que eles têm suas bases em terra firme."   A Coréia do Sul também planeja enviar um destróier para a área e o primeiro-ministro japonês, Taro Aso, pediu que o Parlamento mude a lei que, desde a 2ª Guerra Mundial, proíbe ofensivas militares realizadas pelo país, informa, de Pequim, a correspondente do Estado, Cláudia Trevisan. Atualmente, há pelo menos 12 embarcações ancoradas no porto pirata de Eyl, na costa da Somália - entre elas, um navio carregado com armas, munição e 33 tanques de guerra, e um superpetroleiro saudita com US$ 100 milhões em petróleo.   No front diplomático, o Conselho de Segurança da ONU aprovou por unanimidade a aplicação de sanções contra "indivíduos e instituições" somalis envolvidas em pirataria, ignorando o fato de que a Somália é um Estado em fase de descomposição institucional e de que uma das principais dificuldades tem sido, justamente, localizar corsários em pequenos botes espalhados numa área imensa. A empresa de segurança Blackwater, conhecida pelos crimes de guerra cometidos no Iraque, anunciou que planeja oferecer escolta para navios que passem pela região. As respostas viáveis à pirataria são limitadas. Colocar seguranças fortemente armados a bordo é desaconselhável, uma vez que os países onde os navios atracam teriam ressalvas para receber "milícias" em seus portos;     Pirataria moderna   Segundo o jornal britânico The Guardian, a pirataria na costa leste africana difere daquela praticada em outras regiões vulneráveis, como o sul da China e o Estreito de Malaca, entre Indonésia e Malásia. Nessas localidades, piratas costumam abordar navios para simplesmente roubá-los, enquanto a pirataria na Somália é marcada pelo seqüestro de embarcações. As ações na África exigem um alto grau de especialização, o que faria dos piratas somalis "descendentes diretos dos piratas do século 17", segundo Adrian Tinniswood, historiador do tema.   Uma troca de agressões entre seguranças em um navio carregado de petróleo e piratas com armamentos pesados, como granadas propelidas por foguetes, poderia ainda causar um desastre ambiental. Como os piratas reagrupam-se facilmente na costa, o combate aos centros de pirataria em terra torna-se inócuo. A instalação de câmeras de vigilância e radares pode aumentar a segurança, mas Brunett afirma que a única solução verdadeira é o restabelecimento de um Estado soberano na Somália. "Mas isso não deve acontecer tão cedo", completa.   A recente onda de seqüestros torna ainda mais importante a necessidade de pôr fim aos 17 anos de conflito na Somália. Para os especialistas, enquanto não houver um governo central na Somália, a pirataria continuará e tentativas militares de lidar com o problema fracassarão. Exceto por um breve período em 2006 (quando uma milícia islâmica conseguiu se manter no poder), a Somália vive mergulhada na anarquia desde 1991, quando milícias derrubaram o ditador Siad Barre. O caos tornou o país o mais falido do mundo, onde quase metade da população depende de ajuda humanitária para sobreviver.

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