Índia pode reduzir em 25% força militar na Caxemira

Região conflituosa é disputada por indianos e paquistaneses

AE, Agência Estado

14 de janeiro de 2011 | 15h39

NOVA DÉLHI - A Índia reduzirá em 25% sua enorme presença militar na conflituosa região da Caxemira se a violência anti indiana acabar, disse hoje disse o secretário de Segurança Interna do país, G.K. Pillai, de acordo com a agência de notícias Press Trust of India. A força estimada de 700 mil soldados indianos no Estado da Caxemira é uma grande fonte de tensão com a população local, cuja maioria é muçulmana e pede a independência ou a anexação ao Paquistão.

A Índia já reprimiu um levante mais sério que ocorreu no Estado em 1989. Nova Délhi também lutou duas guerras com o Paquistão pela posse da região, em 1965 e 1971. A Caxemira é dividida entre indianos e paquistaneses e reivindicada por ambos. "Como uma medida para construir a confiança, a força militar será reduzida em 25%. Nós gostaríamos de reduzir a força, o mais cedo possível, a depender da situação em campo", comentou Pillai.

"Se a paz chegar, se a violência tiver acabado, se as pessoas se sentirem tranquilas, nós podemos gradualmente reduzir as tropas e garantir que as existentes ficarão nas fronteiras, também para evitar a infiltração" de militantes do Paquistão, explicou o secretário em discurso feito em uma universidade de Nova Délhi. Ele não disse, contudo, quando começará a retirada.

Centenas de milhares de soldados indianos e paquistaneses estão em guarnições na fronteira da Caxemira, ao longo de uma linha de cessar-fogo. O Paquistão, grupos de defesa dos direitos humanos e líderes separatistas da Caxemira têm pedido uma redução no número de soldados indianos. Dezenas de milhares de habitantes da parte indiana têm feito manifestações de rua, muitas vezes reprimidas violentamente.

A região "permanece muito militarizada, com leis draconianas que encorajam abusos e violações dos direitos humanos pelas forças de segurança, alimentando o ressentimento e o ódio públicos que os militantes podem explorar", disse um relatório de 2010 do Grupo de Crises Internacionais, uma organização com sede em Bruxelas, na Bélgica.

O grupo sugere que o governo indiano deveria retirar militares que trabalham contra a insurgência e substituí-los por forças policiais especializadas, além de reavivar a economia da região, devastada pelo conflito. Essas medidas poderiam reduzir as tensões. Mais de 68 mil pessoas, a maioria civis, foram mortas desde a insurgência de 1989. A Índia acusa o Paquistão de armar e treinar grupos extremistas, mas o país nega essa participação. As informações são da Associated Press.

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