Índia reforça segurança em aeroportos por medo de ataques

Informações dos serviços de inteligência alertam para atentado durante aniversário de destruição de mesquita

Agências internacionais,

04 de dezembro de 2008 | 07h57

Autoridades indianas elevaram os níveis de segurança dos aeroportos do país nesta quinta-feira, 4, depois de receber informações dos serviços de inteligência de que terroristas poderiam estar planejando um ataque aéreo. Um porta-voz da Marinha indiana, Nirad Sinha, disse ainda que os oficiais receberam alertas sobre a possibilidade de um atentado pelo ar.   Veja também: Paquistão diz que não permitirá que terroristas usem o país Suspeito de ataques treinou no Paquistão, diz polícia indiana Brasil aprova venda de mísseis para o Paquistão  Índia jamais cauterizou as feridas de 1947 Assista ao vídeo com cenas dos ataques  Imagens de Mumbai     O porta-voz da aviação civil indiana Moushmi Chakraborty afirmou à CNN que a inteligência alertou sobre alguma atividade terrorista e reforçou a segurança em todos os aeroportos, incluindo na capital Nova Délhi, em Mumbai, Chennai e Bangalore. A agência de notícias Press Trust of India afirmou que as informações sugerem que os terroristas poderiam invadir o país para promover ataques no aniversário da demolição da mesquita de Babri, destruída em 6 de dezembro de 1992 por extremistas hinduístas. O incidente deu início a conflitos sangrentos entre muçulmanos e hinduístas em toda a Índia, que deixaram mais de 2 mil mortos.   Na quarta-feira, o ministro de Defesa da Índia se encontrou com chefes do Exército, da Marinha e da Aeronáutica para discutir o que poderia ser feito sobre a ameaça aérea. Eles também debateram os planos para a segurança da costa do país e como reforçar a segurança na linha militar que divide a disputada região da Caxemira, para "prevenir a infiltração de terroristas".   Nesta quinta, a polícia indiana afirmou que encontrou uma granada de mão não-detonada do lado de fora de um hospital que foi atacado na semana passada em Mumbai. O artefato foi localizado por um paciente em uma caixa de lixo atrás do prédio e teria sido deixado pelos homens que atacaram a cidade. Na quarta, duas bombas foram localizadas e desarmadas na estação de trem alvo dos ataques coordenados.   Ligação com Paquistão   Os terroristas que lançaram os atentados em Mumbai passaram três meses em campos do grupo Lashkar-i-Taiba, no Paquistão, treinando para os ataques da semana passada, declarou à polícia indiana o único militante preso, Ajmal Amir Kasab, de 21 anos. O terrorista, que recebeu ao todo 18 meses de treinamento, contou que os militantes responsáveis pelos ataques em Mumbai, oeste da Índia, receberam aulas sobre armas, sobrevivência e navegação.   Segundo um ex-funcionário do Departamento de Defesa dos EUA, a inteligência americana teria informações de que militares paquistaneses da reserva e agentes do serviço de inteligência do Paquistão, a ISI, ajudaram no treinamento. Aparentemente, não há ligações com o governo do Paquistão, afirmou o funcionário, que falou em condição de anonimato. Oficialmente, a organização islâmica Lashkar-i-Taiba foi banida do Paquistão, mas ela manteria conexões com a poderosa e independente agência de inteligência paquistanesa.   Os militantes responsáveis pelos ataques em Mumbai contaram com equipamentos de alta tecnologia durante o treinamento e a execução do plano. Eles estudaram os locais dos ataques graças a imagens de satélite de alta definição, como as usadas nos mapas do programa Google Earth. "Eles ganharam familiaridade com as ruas da cidade e prédios aos quais se dirigiram", disse o especialista em terrorismo Praveen Swami.   Para chegar de barco da cidade paquistanesa de Karachi a Mumbai eles usaram um aparelho de GPS com rotas bem detalhadas. O equipamento foi encontrado no barco usado pelo grupo. Todos os terroristas usavam celulares com acesso à internet e tinham múltiplos chips, trocados com freqüência para dificultar o rastreamento. Eles também preferiram fazer chamadas via internet, por ser mais difíceis de rastrear, e usaram um telefone via satélite.   Segundo a polícia, o esforço para evitar o rastreamento continuou durante os ataques. Os militantes roubaram celulares de vítimas para comunicar-se uns com os outros. Vários telefonemas também foram feitos a Yusuf Muzammil, no Paquistão. Muzammil é um dos líderes do Lashkar-i-Taiba, procurado pela polícia da Índia. No interrogatório, Kasab teria confirmado que Muzammil foi um dos mentores dos atentados de Mumbai. "Os terroristas não teriam conseguido lançar tais ataques se não fosse a tecnologia que usaram", afirmou G. Parthasarathy, especialista em segurança interna da polícia de Nova Délhi. "Mas, graças à nova realidade da vida moderna, muitas vítimas presas nos hotéis também puderam mandar mensagens de texto ou acessaram a internet para tentar fugir". Kasab também disse à polícia que sua família, que vive no vilarejo de Faridkot, no Punjab, receberia US$ 1.250 caso ele fosse morto nos ataques.   A mensagem de voz atribuindo a autoria dos ataques ao grupo Deccan Mujahedin, enviada por e-mail à mídia indiana, partiu de um servidor em Moscou. Mas especialistas em informática disseram que o e-mail original foi enviado de Lahore, no Paquistão. Um software de reconhecimento de voz teria sido usado para tirar o sotaque regional, tornando mais difícil para a polícia reconhecer a etnia e a origem geográfica do autor da mensagem.

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