Índia reforça vigilância na fronteira após morte de Bhutto

A Índia instituiu um "estado elevadode vigília" na fronteira com o Paquistão, antevendo possíveisturbulências no país vizinho depois do assassinato da líderoposicionista e ex-premiê Benazir Bhutto. Especialistas dizem que o impacto imediato sobre a Índiaserá pequeno, mas que a morte de Bhutto pode ser mais um durorevés na perspectiva de paz permanente na região, poisdemonstra o avanço da violência militante no Paquistão. Índia e Paquistão são potências nucleares que já travaramtrês guerras em seus 60 anos de vida independente e estiveramperto de um novo conflito em 2002. Nos últimos anos, houve umatímida reaproximação, mas a situação permanece tensa. "Houve uma orientação geral a todas as forças de fronteirapara manterem um estado elevado de vigilância. Dá para imaginarpor quê", afirmou um porta-voz do Ministério do Interior nasexta-feira à Reuters. "Não há ameaças específicas ainda. Eles foram colocados emalerta, houve várias especulações, (sobre) jihadistas, sobre umefeito-transbordamento", acrescentou. A Índia já havia colocado suas forças fronteiriças emalerta diante de outras crises no Paquistão -- a última delasem novembro, quando o presidente Pervez Musharraf decretouestado de emergência. A Índia teme que a instabilidade no Paquistão -- aliado doOcidente na guerra contra a Al Qaeda e o Taliban -- possaprovocar um aumento na violência de militantes islâmicos naregião da Caxemira controlada por Nova Délhi ou em grandescidades indianas. Na sexta-feira, a polícia usou gás lacrimogêneo paradispersar centenas de manifestantes que protestavam contra amorte de Bhutto em Srinagar, capital de verão da Caxemira,segundo testemunhas. Os manifestantes davam vivas ao Paquistãoe à dirigente assassinada. A infiltração de militantes do Paquistão na Caxemiraindiana caiu nos últimos três anos, em parte devido à pressãointernacional sobre Islamabad para contê-los. Os eventuaistiroteios entre forças estacionadas nos dois lados da chamada"linha verde" (fronteira) pararam desde um cessar-fogo do finalde 2003. A Índia poderá enviar uma delegação de primeiro escalão,chefiada pelo chanceler Pranab Mukherjee, para o funeral deBhutto, em um sinal de que o governo pretende manter osesforços para reduzir as tensões.

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