Índia reprime com violência protestos contra estupros

Milhares saíram nas ruas de Nova Délhi em repúdio a ataque contra jovem de 23 anos; crimes sexuais são endêmicos na capital

NOVA DÉLHI, O Estado de S.Paulo

24 de dezembro de 2012 | 04h34

Autoridades indianas reprimiram ontem uma série de protestos que têm sacudido Nova Délhi desde que uma gangue estuprou uma jovem. O governo proibiu aglomerações de mais de cinco pessoas. Mesmo assim milhares de manifestantes se dirigiram ao coração da capital da Índia para explicitar sua raiva.

A polícia usou gás lacrimogêneo e cassetetes para conter a multidão e impedir que os manifestantes caminhassem até o palácio presidencial, como tinham feito no dia anterior. Entre 30 e 35 pessoas, incluindo alguns policiais, ficaram feridas e estavam sendo tratadas em um hospital próximo, disseram dois médicos.

A vítima de 23 anos do ataque ocorrido no dia 16 foi espancada, estuprada durante quase uma hora e jogada de dentro de um ônibus em movimento em Nova Délhi. Ela está internada na UTI de um hospital na cidade em estado crítico, respirando com ajuda de aparelhos - mas tem respondido ao tratamento, disseram os médicos.

Seis homens foram presos pelo ataque.

Nova Délhi tem o maior índice de crimes sexuais entre as principais cidades da Índia, com um relato de estupro a cada 18 horas, em média, de acordo com dados da polícia.

Vista grossa. Vários e constantes ataques sexuais não são notificados ou passam despercebidos, mas a brutalidade do crime do dia 16 desencadeou os maiores protestos na capital desde as manifestações de meados de 2011 contra a corrupção, que abalou o governo do primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh.

Os manifestantes, predominantemente estudantes universitários, mas também donas de casa e até crianças, estão exigindo mais empenho das autoridades para garantir a segurança das mulheres - especialmente, mais policiamento - e alguns querem o estabelecimento de pena de morte para os homens condenados por estupro na Índia. / REUTERS

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