Mahesh Kumar A./AP
Mahesh Kumar A./AP

Índia se prepara para imunização em massa com simulações de vacinação contra covid-19

País aguarda aprovação final para uso emergencial da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford/ AstraZeneca, que já recebeu o aval de um painel de especialistas do governo na sexta-feira

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de janeiro de 2021 | 11h58

NOVA DÉLHI - A Índia fez uma simulação nacional de vacinação contra a covid-19 neste sábado, 2, antes de lançar uma campanha de imunização em massa nesta nação de 1,3 bilhão de habitantes. O ensaio incluiu o cadastro de dados em uma plataforma online para monitorar a entrega da vacina, assim como o teste de armazenamento refrigerado e arranjos de transporte, segundo o Ministério da Saúde local. 

O país aguarda a aprovação final para o uso emergencial da vacina desenvolvida pela Universidade de Oxford e pela AstraZeneca, que já recebeu o aval de um painel de especialistas do governo na sexta-feira, mas ainda precisa do sinal verde do Controlador Geral de Drogas da Índia (DCGI, na sua sigla em inglês), o órgão regulador nacional, de acordo com o jornal local Times of India. Os pedidos feitos pela Pfizer e pelo fabricante indiano Bharat Biotech também estão sendo analisados.

A Índia é o terceiro país do mundo mais afetado pelo coronavírus depois dos Estados Unidos e do Brasil, o que fez o governo traçar a ambiciosa meta de vacinar cerca de 300 milhões de pessoas até meados de 2021. Os primeiros a serem vacinados serão os trabalhadores de saúde da linha de frente, policiais, militares e pessoas com comorbidades com mais de 50 anos. 

De acordo com balanço feito pela agência France Presse na sexta-feira, com base em fontes oficiais, a Índia acumula 148.994 mortes e 10.286.709 casos de contágio.

O Serum Institute of India, o maior produtor mundial de vacinas, já estocou dezenas de milhares de doses da vacina Covishield desenvolvida pela AstraZeneca e pela Universidade de Oxford. A empresa foi contratada pela AstraZeneca para fabricar 1 bilhão de doses para países em desenvolvimento, incluindo a própria Índia. 

Reino Unido e Argentina foram os primeiros países a autorizarem a vacina AstraZeneca/Oxford.

Cerca de 96 mil profissionais de saúde foram treinados para inoculá-la em 116 distritos do país. No treinamento deste sábado, os profissionais de saúde praticaram a aplicação em outros colegas com simulações de vacina, em hospitais especialmente habilitados para a campanha de vacinação que será lançada assim que o uso emergencial for aprovado. 

Segundo o Ministério da Saúde da Índia, o ensaio nacional foi realizado para testar a logística, gestão de estoque e transporte da vacina em câmaras frias, vital para o armazenamento de doses. O país testou também a entrada de dados em uma plataforma online para monitorar todo o processo. 

O ministro da Saúde da Índia, Harsh Vardhan, revisou os preparativos para a campanha de vacinação em um hospital do governo em Nova Délhi, neste sábado, e pediu ao público que não dê ouvidos a rumores antivacina. "Não vamos abrir mão de nenhum protocolo antes de aprovar uma vacina", disse ele a repórteres. 

Pooja Moriya, uma trabalhadora de saúde da capital que será uma das primeiras a ser vacinadas, disse que a equipe do hospital teve várias reuniões sobre a vacina e como ela funciona. "Nossos supervisores nos disseram para não termos medo nenhum", disse Moriya./AFP, EFE e AP 

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