Índia segue diálogo com Paquistão, mas não discute sobre a Caxemira

O governo indiano manifestou nesta quarta-feira diante da câmara baixa do Parlamento sua intenção de continuar o atual processo de paz com o Paquistão, mas afirmou que não comprometerá a soberania da Índia pelo conflito territorial da Caxemira.Em um comparecimento no Lok Sabha (câmara baixa), o ministro de Estado para Assuntos Exteriores indiano, E. Ahamed, disse que seu governo "pretende continuar o atual processo de medidas de confiança, cooperação e diálogo (com o Paquistão) em um ambiente livre do terror e da violência".No entanto, disse que não será possível aceitar as propostas do presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, da gestão conjunta desse território como solução do conflito, porque "é uma parte integral da Índia"."Não pode haver compromisso sobre a soberania da Índia peloestado de Jammu e Caxemira, nem sobre a unidade do país", disse Ahamed, e afirmou que "a Índia está comprometida em resolver todos os assuntos pendentes com o Paquistão bilateralmente e pacificamente, segundo o acordo de Shimla".O processo de paz entre os dois Estados está suspenso, depois que a Índia adiou uma reunião entre os secretários de Exteriores, previsto para o mês passado, devido ao atentado terrorista que matou 185 pessoas em Mumbai, em 7 de julho."O governo está desestimulado devido à contínua rejeiçãopaquistanesa da presença de grupos terroristas em seu território", acrescentou Ahamed.A Índia considera que o governo paquistanês não faz o suficiente para acabar com o terrorismo entre fronteiras, o que Islamabad nega.As relações tensas entre Nova Délhi e Islamabad fizeram com que, em 5 de agosto, o governo paquistanês acusasse o diplomata Deepak Kaul, conselheiro na seção de vistos da embaixada indiana em Islamabad, de "estar envolvido em práticas incompatíveis com seu status" e deu 48 horas de prazo para que saia do país.A Índia respondeu com a expulsão do conselheiro político dadelegação do Paquistão em Nova Délhi, Syed Mohammad Rafik Ahmed, a quem fez as mesmas acusações.Esta foi a primeira ação diplomática do tipo desde que a Índia e o Paquistão iniciaram o processo de paz, em 2004.

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