Índia suspeita que rede local atacou Mumbai

Um dia após 3 atentados deixarem 18 mortos em centro financeiro, pistas apontam para militantes islâmicos indianos

, O Estado de S.Paulo

15 de julho de 2011 | 00h00

NOVA DÉLHI

Investigadores indianos afirmaram ontem que os militantes que voltaram a atacar Mumbai, centro financeiro da Índia, deixando 18 mortos e mais de 130 feridos, receberam treinamento para manejo de explosivos e provavelmente usaram relógios para sincronizar as bombas. Publicamente, Nova Délhi afirma que não há provas conclusivas sobre os autores dos ataques. Mas, nos bastidores, autoridades dizem suspeitar de redes jihadistas de dentro da Índia.

O ataque de 2008 a hotéis em Mumbai, que deixou 166 mortos, foi cometido pelo grupo paquistanês Lashkar-i-Taiba. A ação azedou ainda mais a relação entre os dois rivais históricos.

Desta vez, as suspeitas recaíram sobre o grupo dos Mujahedine Indianos. Mas, até agora, nenhuma organização assumiu a autoria dos atentados.

Ao New York Times, uma fonte da inteligência americana afirmou que os primeiros indícios analisados apontam para grupos radicais islâmicos de dentro da Índia - e não do Paquistão. Mas a autoridade, que pediu anonimato, sublinhou que a investigação ainda está no início e, portanto, seria prematuro chegar a conclusões sobre o caso.

"Isso (os ataques) muito provavelmente foi coordenado pelos Mujahedine Indianos, considerando a gravidade e a escala dos atentados", afirmou Rohan Gunaratna, um dos principais especialista em organizações terroristas do Sul da Ásia. Segundo Gunaratna, explosivos muito semelhantes aos usados nos ataques de terça-feira já vinham sendo empregados pelo grupo radical indiano.

Os Mujahedine Indianos são conhecidos pelo uso de explosivos com materiais improvisados contra restaurantes, lojas e locais públicos. Vários integrantes do grupo foram presos nas últimas horas e estão sendo submetidos a interrogatório, admitiram autoridades de Nova Délhi.

Despercebidos. O governo do primeiro-ministro Manmohan Singh reconheceu que foi pego completamente de surpresa pelos novos ataques a Mumbai.

"Os terroristas têm a vantagem da surpresa. Desta vez, não havia indícios (da iminente ação)", afirmou o próprio Singh, em um pronunciamento à nação. "Nosso trabalho é descobrir quem são os culpados e como podemos atuar juntos para levá-los à Justiça."

Segundo o Ministério do Interior, os militantes teriam usado amônia - um tipo de fertilizante - para fabricar os explosivos. As bombas não teriam sido detonadas remotamente, mas por meio de cronômetros. Os três atentados ocorreram com minutos de diferença em regiões movimentadas de Mumbai. / REUTERS

PARA LEMBRAR

Ação de 2008 partiu de vizinho

Os atentados que deixaram 166 mortos em Mumbai, em 2008, foram conduzidos por militantes jihadistas paquistaneses e planejados em Karachi, principal cidade portuária do país vizinho - e principal rival. Autoridades de Nova Délhi chegaram a acusar setores da inteligência paquistanesa de ter auxiliado o Lashkar-i-Taiba a atacar o centro financeiro indiano. Desta vez, quando veio à tona a notícia do novo ataque em Mumbai, a suspeita voltou a recair sobre o grupo paquistanês, originário da disputada região da Caxemira.

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