Mustafa Quraishi/AP
Mustafa Quraishi/AP

Índia tenta negociação com ativista no 7o dia de greve de fome

Enquanto partidos de oposição convocam manifestações, governo busca iniciar uma negociação

ALISTAIR SCRUTTON E ARU, REUTERS

22 de agosto de 2011 | 10h51

ROYCHOUDHURY - O ativista indiano Anna Hazare entrou nesta segunda-feira, 22, no sétimo dia da sua greve de fome por leis mais rígidas contra a corrupção, enquanto partidos de oposição convocam grandes manifestações para esta semana, e o governo busca iniciar uma negociação.

Hazare, de 74 anos, já perdeu cinco quilos por causa do jejum. Ele passou a segunda-feira deitado num palanque num terreno da capital. Por causa da temperatura em torno de 35 graus centígrados, ele ficou diante de ventiladores.

O governo e os seguidores de Hazare disseram no fim de semana que há margem para negociações. O primeiro-ministro Manmohan Singh declarou que "há muita coisa para dar e receber".

Durante visita a Calcutá, Singh disse que o projeto de lei anticorrupção que tramita no Parlamento, e que os partidários de Hazare acham brando demais, pode sofrer emendas.

Em outro sinal de concessão, o ministro Jairam Ramesh disse que o governo cogita apresentar um novo projeto de lei que trate da corrupção nos baixos escalões, o que era outra exigência de Hazare.

Mas o ativista Kiran Bedi, que trabalha com Hazare, disse à Reuters que o governo até agora entregou apenas "uma nota de três páginas, inócua e sem assinatura, que resumia a posição deles - como se já não a conhecêssemos".

O movimento liderado por Hazare provocou uma crise no governo e afetou a popularidade de Singh, já abalada por causa da inflação e dos sucessivos escândalos de corrupção no primeiro escalão do governo.

Pelo menos 50 mil pessoas participaram no domingo de uma manifestação em favor de Hazare, cuja campanha tem ecoado principalmente na classe média, cansada da corrupção que faz parte do cotidiano indiano.

O partido nacionalista hindu Bharatiya Janata convocou um protesto nacional para quinta-feira, e um grupo de partidos de esquerda fará mobilizações na terça.

Nas últimas décadas, Hazare - cuja figura lembra a do herói nacional Mahatma Gandhi - já realizou dezenas de greves de fome contra os governos, e seus apoiadores garantem que ele não tem intenção de jejuar até a morte. Ele continua tomando água, e pretende interromper o protesto após 15 dias.

Mas alguns ativistas também estão fazendo críticas à ação dele, acusando-o de criar um mau precedente por deixar as instituições democráticas como reféns.

"Embora seus meios sejam dignos de Gandhi, as exigências de Anna Hazare certamente não são", escreveu a premiada romancista e ativista Arundhati Roy no jornal The Hindu. "A lei (defendida por Hazare) é uma lei anticorrupção draconiana, em que uma comissão de pessoas cuidadosamente selecionadas irá administrar uma burocracia gigantesca."

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