Índia testa míssil de longo alcance capaz de levar ogiva nuclear

Lançado com sucesso, Agni-V alcança as capitais europeias e as principais cidades da China, incluindo Pequim

NOVA DÉLHI, O Estado de S.Paulo

20 de abril de 2012 | 03h06

A Índia testou ontem com sucesso um míssil intercontinental capaz de carregar uma ogiva nuclear. O avanço põe Nova Délhi dentro do seleto grupo de potências capazes de desferir um ataque atômico a longa distância. O Agni-V tem mais de 5 mil km de autonomia e, portanto, alcança várias capitais da Europa Ocidental. Mais importante, as principais cidades da rival China - incluindo Pequim - estarão dentro do raio de ação do poder nuclear indiano.

Acredita-se que apenas as cinco potências do Conselho de Segurança das Nações Unidas (EUA, França, Grã-Bretanha, Rússia e China), além de Israel, têm mísseis de longo alcance. O projétil indiano entrará em fase operacional em até dois anos.

Imagens de TV mostraram o míssil voando através das nuvens depois de ser lançado de uma ilha na costa leste da Índia. Não está claro qual distância o projétil percorreu antes de mergulhar no Oceano Índico.

O primeiro-ministro indiano, Manmohan Singh, agradeceu aos cientistas que projetaram o míssil, quase todo feito com tecnologia nacional. "O lançamento com sucesso do Agni-V é mais um marco na busca para ampliar a credibilidade de nossa segurança e o nosso preparo", defendeu Singh.

Em 2005, o governo George W. Bush fechou um ambicioso acordo nuclear com a Índia - embora tenha um arsenal atômico, o país não é signatário do Tratado de Não Proliferação Nuclear (TNP). O objetivo do pacto seria fazer frente a um inimigo comum: a China.

Segundo o Stockholm International Peace Research Institute (Sipri), Nova Délhi tornou-se, em 2011, o maior importador de armas do mundo. O objetivo seria a modernização de suas forças, em meio a sua emergência econômica e política.

Os EUA, que haviam se enfurecido na semana passada com o disparo de um projétil pela Coreia do Norte, não criticaram o lançamento do míssil na Índia. O porta-voz da Casa Branca, Jay Carney, pediu apenas a Nova Délhi "moderação". / REUTERS

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