Índia testa nova versão de míssil de alcance intermediário

A Índia testou com sucesso uma nova versão do míssil Agni, de alcance intermediário e capacidade nuclear, ao lançá-lo de uma ilha em sua costa leste nesta sexta-feira. O teste foi criticado por Grã-Bretanha, Alemanha e pelo vizinho e rival Paquistão. O míssil Agni é a arma mais poderosa do arsenal indiano. O teste foi realizado num momento no qual milhares de soldados indianos e paquistaneses estavam frente a frente no maior impasse militar em décadas. Mísseis balísticos, caças de combate e tanques estavam posicionados. O influente ministro de Interior da Índia, Lal Krishna Advani, descartou qualquer redução imediata nas tensões com o Paquistão. Segundo ele, Islamabad ainda precisa agir e atender às exigências de que 20 homens procurados por "terrorismo" sejam enviados à Índia. O governo classificou o teste como rotineiro e disse que a mobilização não teve nenhum significado político. O teste foi agendado para janeiro há diversos meses, bem antes do atentado de 13 de dezembro contra o Parlamento indiano, principal motivo do impasse militar. "O Agni é um projeto em andamento. Estamos adotando medidas para garantir a proteção e a segurança de nosso país. Isto faz parte dessas ações", declarou o primeiro-ministro Atal Behari Vajpayee em pronunciamento à nação. Ele parabenizou os cientistas responsáveis pelo teste. O Paquistão declarou-se favorável a uma política de contenção. "Esperamos que a comunidade internacional tome nota do comportamento da Índia, que é prejudicial à estabilidade da nossa região, especialmente na atual situação", sugeriu o Ministério das Relações Exteriores do Paquistão por meio de um comunicado. O documento dizia ainda: "O Paquistão dispõe de meios para se defender." Em Londres, o secretário britânico de Exterior, Jack Straw, lamentou a decisão indiana de testar seu míssil balístico de capacidade nuclear. Segundo ele, Nova Délhi enviou a mensagem errada para a região. O teste também foi criticado pelo ministro alemão das Relações Exteriores, Joschka Fischer: "No contexto das atuais tensões com o Paquistão, um teste como este pode levar a desentendimentos que poderiam ser evitados." Na opinião de Fischer, o teste também "envia a mensagem errada com relação à não-proliferação nuclear".

Agencia Estado,

25 Janeiro 2002 | 14h07

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