Ammu Kannampilly/AFP
Ammu Kannampilly/AFP

Índia ultrapassa 200 mil casos diários de coronavírus pela primeira vez

País contabiliza mais de 14 milhões de casos e é a segunda nação mais afetada pela pandemia, atrás dos Estados Unidos

Redação, O Estado de S.Paulo

15 de abril de 2021 | 04h35

NOVA DÉLHI - A Índia ultrapassou pela primeira vez, nesta quinta-feira, 15, a barreira de 200 mil casos diários de covid-19. No novo pico da segunda onda, o país asiático bate recordes de infecções dia após dia, enquanto a campanha de vacinação avança como única saída aparente.

Especificamente, 200.739 novas infecções foram registradas nas últimas 24 horas, elevando o total desde o início da pandemia para mais de 14 milhões, o que mantém a Índia como o segundo país mais afetado, atrás dos Estados Unidos, com 31 milhões.

O país também ultrapassou mil mortes no último dia (1.038), o que deixou necrotérios superlotados e cadáveres fora dos hospitais, enquanto os espaços de cremação continuam supersaturados em um país que já contabiliza 173.123 mortes desde o início da pandemia.

Algumas regiões, como o oeste de Maharashtra, a mais afetada de todas, já impuseram restrições severas, próximas do confinamento total, possibilitando apenas a movimentação de determinados grupos profissionais considerados fundamentais.

O Ministério da Saúde informou nesta quinta, em nota, que, para "evitar o pânico" em relação à disponibilidade de oxigênio nos centros de saúde, várias medidas foram tomadas para garantir o abastecimento em todo o país.

Entre essas medidas, ele anunciou que a capacidade de produção de oxigênio foi elevada para 100%, além de utilizar as reservas das siderúrgicas, ou facilitar o transporte entre as regiões menos afetadas até os mais necessitados.

Testes e vacinas

As autoridades continuam a enfatizar que um dos segredos para tentar controlar essa segunda onda, que disparou após o país ter atingido a marca animadora de 9 mil casos por dia em fevereiro, é aumentar os testes para detectar e isolar os infectados.

Até agora, a Índia já realizou cerca de 262 milhões de exames desde o início da pandemia - 1,4 milhão no último dia - o que é insuficiente em cidades como Nova Délhi, onde centros privados que faziam exames em casa em menos de 24 horas há menos de um mês agora têm listas de espera de até quatro dias.

Como única solução de longo prazo para essa crise, apresenta-se aquela que é conhecida como a maior campanha de vacinação do mundo, com mais de 114 milhões de doses administradas desde o lançamento em janeiro, das quais 3,3 milhões foram entregues no último dia.

Até agora, a Índia fabrica e usa apenas dois imunizantes contra a covid-19: Covishield, do laboratório britânico-sueco AstraZeneca e da Universidade de Oxford, que é produzido graças a um convênio com o Serum Institute of India (SII); e a indiana Covaxin, do laboratório Bharat Biotech.

A essas duas será adicionada a vacina russa Sputnik V, que obteve nesta semana aprovação para uso emergencial na Índia. Além de ser a primeira fórmula que poderá ser importada, o imunizante passará a ser produzido no país por meio de cinco fábricas, com a meta de produção de 850 milhões de doses por ano.

“O governo deve tomar medidas urgentes para aumentar a capacidade de fabricação (de vacinas)”, disse em nota a Rede de Cientistas Indianos (AIPSN), que considera os recursos atuais insuficientes./EFE

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