Índia vai emitir identidade biométrica para 1,2 bilhão

Maioria da população indiana não possui nenhum tipo de documento que prove a existência como cidadão

17 de julho de 2009 | 13h00

Foto: AP

 

NOVA DÉLHI - O governo da Índia vai emitir documentos de identidade biométricos para os mais de 1,2 bilhão de cidadãos dos país, milhões dos quais vivem em áreas remotas do país e não possuem nenhum registro que prove sua existência. Segundo a edição do jornal britânico The Times, Nova Délhi anunciou recentemente a criação de um departamento de Estado com a missão de garantir um número exclusivo e armazenar eletronicamente detalhes pessoais de cada indiano.

 

Segundo o jornal, se o total de documentos que será emitido fosse empilhado, seria possível ir até o topo do monte Everest 150 vezes - 1.200 quilômetros. A Índia tem pelo menos 20 documentos de identificação para os indivíduos, incluindo certidão de nascimento, licença de motorista e cartões de alimentação. Nenhum deles é aceito universalmente e, no trânsito entre um Estado e outro, podem tornar um cidadão oficialmente invisível.

 

Espera-se que o sistema de identificação acabe com o vazio burocrático e ainda contribua na luta contra a corrupção. O documento pode ainda acabar sendo usado de modos controversos, como na identificação de imigrantes ilegais e no combate ao terrorismo. Um chip de computador será inserido em cada documento, com dados pessoais como a impressão da identidade ou da íris. Registros criminais ou de crédito também poderão ser inseridos.

 

O perigo, segundo especialistas, é que o banco de dados deve se tornar um alvo irresistível de ladrões de identidade, já que será um dos maiores já construídos no mundo. Outro desafio é como coletar informações de confiança. Somente 75 milhões de pessoas - menos de 7% da população - são registrados no imposto de renda. A lista de eleitores do país também é imprecisa, grande parte por conta da manipulação de políticos corruptos. Persuadir os mais de 60 departamentos do governo a cooperar com dos dados deve ser outro impasse.

 

O governo afirma que os primeiros documentos biométricos serão emitidos em 18 meses. Analistas afirmam que seria preciso pelo menos 4 anos para que o projeto alcance a maior parte da população.

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