Índia vai retirar embaixador do Paquistão

A Índia anunciou hoje que iria retirar seu embaixador do Paquistão e suspender viagens de trem e ônibus entre os dois países em vista do ataque suicida a seu Parlamento, que Nova Délhi acusa ter sido planejado por Islamabad. Os serviços de ônibus e trem serão cancelados em 1º de janeiro, disse a porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores, Nirupama Rao, dando tempo aos cidadãos dos dois países para voltarem para casa. Ela não quis responder se a Índia estaria rompendo relações diplomáticas com o Paquistão. Vijay Nambiar, o alto comissário da Índia em Islamabad, retornará à Índia no começo da semana que vem. O ministro da Informação, Sushma Swaraj, afirmou que as relações entre a Índia e o Paquistão estavam sendo diminuídas, mas não cortadas. Recusando-se a retribuir na mesma moeda, um porta-voz do Ministério do Exterior em Islamabad disse que o Paquistão irá manter seu embaixador na Índia e "manter os canais abertos" com seu vizinho. O embaixador paquistanês em Nova Délhi, Ashraf Jehangir Qazi, afirmou que a decisão da Índia de retirar seu enviado e suspender os serviços de transporte era "desapontadora e infeliz". As Forças Armadas das duas nações do Sul da Ásia que dispõem de armamentos nucleares estão em alerta. Tropas e armas foram reforçadas nas fronteiras. "Desde o ataque de 13 de dezembro contra o Parlamento, não temos visto uma tentativa por parte do Paquistão de agir contra as organizações envolvidas", disse Rao, a porta-voz da Chancelaria, numa entrevista coletiva. Ela afirmou que a Índia exigiu que o governo paquistanês fechasse duas organizações militantes islâmicas que Nova Délhi acusa de terem promovido o ataque contra o Parlamento que deixou 14 mortos, incluindo os cinco terroristas. A Índia quer que o Paquistão prenda os líderes dos dois grupos - Lashkar-i-Tayyaba e Jaish-i-Mohammed - e congele suas contas. Os dois grupos negam envolvimento no ataque. O Paquistão rejeita as acusações da Índia de que seu serviço de inteligência tenha apoiado o atentado e afirma que não tomará atitude enquanto Nova Délhi não apresentar provas. A Índia respondeu que ofereceu provas aos Estados Unidos, Grã-Bretanha e outros aliados. "Em vista da completa falta de preocupação da parte paquistanesa, e sua contínua promoção do terrorismo que cruza a fronteira, o governo da Índia decidiu chamar seu alto comissário em Islamabad", afirmou Rao. O presidente George W. Bush classificou o Lashkar como um grupo terrorista na quinta-feira, dizendo que ele promoveu ataques na Índia e Paquistão, numa tentativa de desestabilizar os dois rivais. A Índia e o Paquistão já travaram três guerras desde que se tornaram independentes da Grã-Bretanha em 1947. Alguns analistas acreditam que a retirada do alto comissário visa apenas acalmar a opinião doméstica da Índia em vista do ultraje causado pelo atentado. "É uma jogada interna. O governo não tem boas opções militares. E não quer ser visto como dependente dos EUA para disciplinar o Paquistão", disse Kanti Bajpai, professor de Relações Internacionais da Universidade de Jawaharlal Nehru, de Nova Délhi. "É um protesto simbólico. Não vai evitar uma guerra - nem irá provocar uma guerra".

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