Índia vê Brasil como um 'modelo' para vencer a fome

Por Chris Arsenault

REUTERS

22 de outubro de 2014 | 19h01

ROMA (Thomson Reuters Foundation) - A Índia acaba de mandar uma missão espacial para Marte, mas segue tendo a "ambivalente distinção de ser a capital mundial da desnutrição", disse uma alta autoridade indiana nesta quarta-feira, acrescentando que o crescimento econômico sozinho não vai ser suficiente para acabar com a fome.

"A prevalência de crianças com baixo peso na Índia é quase o dobro do que registrado na África subsaariana", disse Vimlendra Sharan, um representante da Índia na Organização das Nações Unidas, disse aos delegados no encontro sobre nutrição em Roma.

Uma a cada três crianças subnutridas do mundo vive na Índia e o país de cerca de 1,2 bilhão de pessoas tem mais de 190 milhões de pessoas subnutridas, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Apesar de a situação ter melhorado na última década, a desnutrição segue mesmo com o ritmo maior de crescimento econômico, que não se traduz em melhores taxas de nutrição pelo país, disse.

Para vencer o problema, a Índia recentemente adotou o desafio de ter "fome zero", do qual o Brasil foi pioneiro.

A redistribuição de renda por impostos, subsídios direcionados para as famílias pobres e outras políticas, além do crescimento econômico, auxiliaram o Brasil a praticamente eliminar a desnutrição.

"O Brasil é conhecido como um modelo para o acesso para a agricultura familiar e o financiamento", disse Eduardo Nilson, assessor do Ministério da Saúde do Brasil, para os delegados.

As escolas locais fornecem refeições subsidiadas ou gratuitas para crianças pobres, disse Nilson, e as escolas em si compram a comida de agricultores da região.

"Estamos tentando fazer isso também com hospitais, para estimular a produção local", disse.

Agricultores e residentes rurais são, de maneira contra-intuitiva, aqueles que acabam mais afetados pela insegurança alimentar.

No seu desafio de acabar com a fome, a Índia transformou o acesso à alimentação um direito legal e vê o Brasil como um "modelo", disse Sharan.

"Saímos de um modelo de bem estar social para um modelo baseado em direitos… isso é algo que se destaca."

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