Índia vê eleição no Afeganistão como um avanço

Quem quer que ganhe a eleição presidencial afegã, a Índia terá um governo amigável em Cabul. O presidente afegão, Hamid Karzai, desenvolveu uma sólida proximidade com o governo de Nova Délhi, expressa na ajuda indiana de US$ 1,2 bilhão ao Afeganistão desde a queda do Taleban, em 2001. Seu principal adversário, o ex-chanceler Abdullah Abdullah, foi assessor do general Ahmed Shah Massud na Aliança do Norte, apoiada pela Índia, e mandou a família para Nova Délhi no período da resistência ao Taleban (1996-2001).

AE, Agencia Estado

31 de agosto de 2009 | 07h52

Para os indianos, a verdadeira guerra se trava entre o Estado afegão e o Taleban, criado e apoiado pelo Exército e pelo serviço secreto paquistaneses. Mesmo enfrentando em seu território a versão paquistanesa do Taleban, o establishment de segurança paquistanês continua insuflando o conflito no Afeganistão, como tem feito pelo menos desde a invasão do país pela antiga União Soviética, há 30 anos.

O Paquistão considera o Afeganistão vital para seus interesses nacionais, proporcionando-lhe "profundidade estratégica" em face da Índia, seu principal rival. Com seu território pequeno em comparação com o da Índia, o Paquistão deseja poder contar com o Afeganistão para eventualmente estacionar tropas e armamento e, numa guerra menos simétrica, como tem sido o caso, abrigar e treinar militantes islâmicos para atacar seu inimigo. Nada disso mudou, nem com a ameaça do Taleban paquistanês ao governo de Islamabad nem com a eleição do presidente Barack Obama, dizem especialistas indianos.

"O Paquistão não aprendeu nada com o conflito no Vale do Swat", diz o embaixador aposentado Gopalaswami Parthasarathy, professor do Centro para Pesquisa de Políticas, de Nova Délhi. "Ele está confrontando exclusivamente o Taleban que o enfrenta, não o mulá Mohammed Omar, Gulbuddin Hekmatyar ou Jalaluddin Haqqani", afirma, referindo-se ao líder do Taleban e a dois chefes de milícias insurgentes no Afeganistão. "Não vejo nenhuma mudança no Paquistão."

Para Shanthie D?Souza, pesquisadora do Instituto de Estudos e Análises de Defesa (sustentado pelo Ministério da Defesa), o conflito com o Taleban no Paquistão reforçou a posição do establishment de segurança, o mesmo que insufla os insurgentes no Afeganistão. "No Vale do Swat, os militares assumiram uma posição de força ao enfrentar os insurgentes", analisa Shanthie D?Souza (cujo sobrenome provém de M?lore, ex-colônia portuguesa). "A influência do Exército está crescendo." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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