Indianas sofrem abuso sexual em abrigos que deveriam protegê-las

Todas as 110 instituições de Nova Délhi para acolhimento para mulheres e meninas foram apontadas em auditoria

O Estado de S.Paulo

07 Agosto 2018 | 17h18

NOVA DÉLHI - Todos os abrigos para mulheres e meninas na cidade de Nóva Délhi, na Índia, serão inspecionados após numerosas acusações de abuso sexual, informou o jornal britânico The Guardian. Mas casos de abusos também foram denunciados em outros Estados.

O crescente escândalo também inclui alegações de que uma casa de repouso no Estado de Bihar tinha uma sala onde abortos eram realizados quando uma das ocupantes da instituição engravidava. Até o momento, mais de 20 funcionários do governo foram suspensos e 14 foram presos. Segundo o ministro para Mulheres do país, Maneka Gandhi, devem existir "muitos outros" casos.

Na segunda-feira, 24 meninas foram retiradas de um abrigo em Deoria, no Estado de Uttar Pradesh, es onde abuso sexual ou físico teria ocorrido. Ao menos 18 meninas registradas na casa de assistência estão desaparecidas, disse o Guardian.

 

A indignação do público tem forçado os governos federal e estadual a investigarem o sistema de abrigos. Funcionários de alto escalão do governo admitem que as instituições são mal inspecionadas. As casas recebem adultos e crianças que não podem ser atendidos em casa, às vezes porque foram abandonados ou sofreram de sua famílias, assim como pessoas em prisão preventiva ou vítimas do tráfico de pessoas.

Segundo o Guardian, os primeiros casos surgiram em junho, depois que o Instituto Tata de Ciências Sociais conduziu uma auditoria e acusou vários operadores de abrigos. A auditoria encontrou relatos de abuso em cada uma das 110 instituições do Estado administradas por ONGs privadas, em variadas "formas e graus de intensidade". 

Em um dos casos, ao menos 30 meninas teriam sido estupradas, como parte de um círculo de exploração organizado. Em outra casa, uma garota teria cometido suicídio por causa da "atmosfera violenta".

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