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Indianos começam a votar em demorado processo eleitoral

Votação é dividida em 5 etapas por questões de segurança; ataques de rebeldes no 1º dia mataram 21 pessoas

Agências internacionais,

16 de abril de 2009 | 13h16

Em pequenos vilarejos e grandes metrópoles, dezenas de milhões de indianos votavam nesta quinta-feira, 16, no início de um processo que deve durar um mês. A expectativa dessas eleições é que não haja um vencedor claro, no momento em que o gigante asiático se depara com os problemas da crise econômica global. A votação era a primeira de cinco fases, nas quais aproximadamente 714 milhões de pessoas poderão votar. Mais de 140 milhões podem votar nesta quinta.

 

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Houve relatos esparsos de violência causada por guerrilheiros maoistas, incluindo 12 seguranças da votação mortos na manhã de quinta-feira, no Estado leste de Jharkhand, e três funcionários eleitorais sequestrados. Mas as autoridades esperavam um grande comparecimento, mesmo na área mais violenta do país. Com mais de 1,2 bilhão de habitantes, a Índia geralmente realiza eleições em etapas, por questões logísticas e de segurança. Os resultados estão previstos para 16 de maio.

 

Ninguém espera, porém, um vencedor claro. Pesquisas indicam que nem o Partido do Congresso, líder da coalizão governista, nem o Bharatiya Janata, da oposição nacionalista hindu, terão cadeiras suficientes no Parlamento de 543 membros para governar sem apoio. O vencedor buscará alianças com vários partidos pequenos, o que deve se traduzir em uma coalizão instável.

 

Nesta quinta-feira, estão em jogo 124 cadeiras parlamentares. O Partido do Congresso, há cinco anos no poder, viu seu principal trunfo ameaçado, com a desaceleração econômica do país, após anos de crescimento espetacular. Já a maior força oposicionista, o Bharatiya Janata, enfrenta divisões internas e é criticado pela excessiva dureza de sua política antiterror. Também é acusado de fomentar divisões entre a maioria hindu e a importante minoria muçulmana indiana. Os dois principais partidos perderam espaço para siglas menores, focadas em temas locais ou em castas particulares, dentro do complexo sistema social hindu.

 

Além da ameaça de grupos extremistas islâmicos e hindus, a Índia também convive com a ameaça de grupos de extrema-esquerda de inspiração maoísta, os naxalitas, controlam um "corredor vermelho" que se estende da fronteira da Índia com o Nepal até a região central do país.

 

Segundo a BBC, mesmo com uma imensa operação de segurança, envolvendo 2 milhões de agentes, os ataques mataram 21 pessoas, incluindo 12 seguranças que estavam protegendo as seções eleitorais. No Estado de Jharkhand, no leste da Índia, seis soldados paramilitares foram mortos na explosão de uma mina terrestre que teria sido colocada por rebeldes maoístas, segundo a polícia.

 

Maoístas também atacaram zonas eleitorais nos Estados de Orissa e Bihar. Em Bihar, no nordeste indiano, dois seguranças foram mortos e duas eleitoras foram feridas à bala, segundo testemunhas. Os insurgentes saquearam máquinas de votação eletrônica e levaram quatro rifles da polícia. A polícia afirma que em Orissa, no leste do país, insurgentes queimaram algumas máquinas de votação. Os rebeldes também bloquearam estradas na região.

 

Condicional

 

A principal corte indiana concedeu duas semanas de condicional para o bisneto do primeiro primeiro-ministro do país. Com a decisão da Suprema Corte, Varun Gandhi, um candidato nacionalista hindu, poderá fazer campanha, apesar de acusações por crimes de incitar a violência contra muçulmanos.

 

Gandhi é descendente de Jawaharlal Nehru e pertence à poderosa dinastia Nehru-Gandhi, que já produziu três primeiros-ministros em seis décadas e tem promovido governos seculares e tolerância religiosa às minorias. Porém ele é um candidato do oposicionista Bharatiya Janata. Gandhi foi solto nesta quinta-feira de uma prisão perto da capital indiana. Ele deve concorrer a uma cadeira parlamentar no Estado de Uttar Pradesh.

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