Indianos vão às urnas para segunda fase de eleições

Os indianos voltaram às urnas hoje na segunda fase das eleições do país, que vão durar um mês. Forças do governo entraram em estado de alerta enquanto milhares de pessoas amontoavam-se em locais de votação no início do dia para evitar as altas temperaturas do verão, que chegam a 44 graus Celsius em partes dos Estados de Orissa, Jharkhand e Bihar. Refletindo as grandes diferenças do eleitorado indiano, poucos no país esperam que as eleições tenham um vencedor majoritário.

AE-AP, Agencia Estado

23 de abril de 2009 | 17h37

Pesquisas indicam que nem o Partido do Congresso, que lidera o atual governo de coalizão, nem o principal opositor, o nacionalista hindu Bharatiya Janata Party, conquistarão assentos na câmara baixa do Parlamento de 543 cadeiras para governar sozinho. Em vez disso, muitos dos cargos devem ir para uma série de partidos regionais e de castas que tendem a se concentrar em questões regionais e promessas locais, que vão de eletricidade mais barata para fazendeiros à distribuição gratuita de televisores em cores.

Isso significa que as eleições devem resultar num país com uma instável coalizão de governo, formada por partidos muito diferentes entre si - uma situação que pode deixar o próximo primeiro-ministro com pouco tempo para lidar com os crescentes desafios que a Índia tem de enfrentar. Esses problemas incluem a ameaça de violência representada por rebeldes maoistas, que ameaçaram matar cidadãos que participassem da eleição, considerara por eles como um "falso exercício".

Ontem, rebeldes comunistas sequestraram, por um curto período, um trem com 300 passageiros e realizaram outros ataques com o objetivo de atrapalhar o pleito. A maior parte dos atos violentos concentraram-se no leste e na região central do país, onde guerrilhas comunistas vêm lutando há décadas pelos direitos dos pobres. Mas as tensões permanecem elevadas em outras regiões, já que as eleições expuseram divisões étnicas, religiosas e de castas no país que tem 1,2 bilhão de habitantes.

Violência e calor

Hoje, um ataque a funcionários eleitorais no Estado de Jharkhand feriu um magistrado e um policial, disse o porta-voz do Estado, S.P. Pradhan. Os suspeitos fugiram. Em outro incidente, cerca de 20 supostos rebeldes queimaram quatro jipes cheios de máquinas de votação e outros materiais eleitorais, também em Jharkhand, informou o superintendente da polícia, Navin Kumar Singh. No mesmo Estado, forças de segurança atiraram de um helicóptero contra um suposto esconderijo rebelde numa área afastada de floresta, com o objetivo de evitar que os guerrilheiros interrompessem a votação, disse Singh.

Muitos eleitores confessaram que as ameaças os convenceram a não votar. "Eu não quero perturbá-los. Eles podem prejudicar a mim e ao meu negócio", disse Anil Agarwal, um empresário da cidade de Giridh, em Jharkhand. Outros foram dissuadidos pelo calor. "A onda de calor é tão intensa que não podemos sair", afirmou Suresh Sharma, engenheiro da cidade de Allahabad, ao norte. "Eu queria votar, mas temo que se eu for, posso ficar doente."

Funcionários disseram que o comparecimento às urnas ficou ao redor de 50% em Jharkhand e 45% no Estado vizinho de Bihar. Em Uttar Pradhesh, o Estado mais populoso da Índia, o comparecimento foi de apenas 43%, informou o chefe eleitoral Anuj Kumar Bishnoi. A exceção foi o Estado de Andhra Pradesh, ao sul, onde mais de 65% do eleitorado votou.

A eleição na Índia é realizada em cinco fases e deve terminar em 13 de maio. Os resultados são esperados para três dias depois. Com mais de 700 milhões de eleitores, o país normalmente realiza eleições fracionadas por questões de logística e segurança.

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