AFP PHOTO / ZACH GIBSON
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Indicado para embaixador dos EUA em Israel se desculpa por declarações

David Friedman se retratou de seu apoio à anexação da Cisjordânia por parte do governo israelense, e pediu desculpas por ter chamado Barack Obama de antissemita

O Estado de S.Paulo

17 Fevereiro 2017 | 08h10

WASHINGTON - O indicado pelo presidente dos EUA, Donald Trump, para ser seu embaixador em Israel, David Friedman, se retratou na quinta-feira de seu apoio à anexação da Cisjordânia por parte do governo israelense e citou uma solução de dois Estados como "ideal" para o conflito com os palestinos.

Friedman, um advogado que apoiou abertamente a construção de assentamentos em território palestino ocupado e chegou a defender a anexação da Cisjordânia por parte dos israelenses, enfrentou duras perguntas dos senadores democratas e protestos de manifestantes durante sua audiência de confirmação no Senado.

"Não o apoiarei", disse Friedman ao ser questionado durante a audiência se apoiará ou defenderá uma anexação da Cisjordânia, a partir de sua posição como embaixador americano em Israel. Ele também afirmou que a solução de dois Estados é "a melhor possibilidade para a paz na região", o "ideal" para resolver o conflito entre israelenses e palestinos.

Suas palavras contrastam com a posição de Trump, que na quarta-feira afirmou que poderia viver tanto com uma solução de dois Estados como de "único Estado", distanciando-se de uma política que mantiveram seus três antecessores na Casa Branca.

A solução de dois Estados, com o apoio quase unânime da comunidade internacional, advoga por definir um Estado israelense e outro palestino independente, cujas fronteiras se estabeleceriam mediante uma negociação de paz.

Além disso, Friedman se desculpou por ter chamado o ex-presidente Barack Obama de "antissemita" e dito que o líder democrata no Senado, Chuck Schumer - que é judeu - estaria "validando o maior apaziguamento do terrorismo desde (o atentado contra israelenses em) Munique", em 1972, ao apoiar o acordo nuclear com o Irã.

“Minhas palavras foram prejudiciais e as lamento profundamente”, disse ele, que também já havia acusado os judeus liberais de serem “piores que os kapos” - judeus eleitos pelos guardas nazistas para supervisionar os outros presos nos campos de concentração.

O episódio não deve levar à rejeição da candidatura de Friedman no Senado, de maioria republicana, mas não impediu que vários democratas se mostrassem céticos sobre sua nomeação. / EFE

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