RODRIGO BUENDIA / AFP
RODRIGO BUENDIA / AFP

Indicado por Correa e ex-banqueiro vão disputar segundo turno no Equador

Pesquisa apontam para nova rodada, em que os votos do terceiro colocado, um indígena que foi azarão, podem ser decisivos

Redação, O Estado de S.Paulo

07 de fevereiro de 2021 | 21h19

QUITO - Pesquisas de boca de urna apontam que Andrés Arauz, jovem economista de esquerda aliado do ex-presidente Rafael Correa, saiu na frente no primeiro turno da eleição presidencial do Equador, realizado ontem. Segundo a pesquisa do instituto Clima Social, ele teve 36,2% dos votos e disputará o segundo turno contra o ex-banqueiro de centro-direita Guillermo Lasso, de 65 anos, que teve 21,7%. Já a pesquisa da Cedatos aponta Arauz com 34,9% e Lasso com 20,99%.

O Equador tem histórico de erros de pesquisa de boca de urna, embora os resultados sejam coerentes com as pesquisas anteriores. O segundo turno está marcado para 11 de abril. 

A disputa entre uma direita coesa e uma esquerda dividida ocorreu ontem com a imposição de protocolos de saúde nas seções eleitorais, o que provocou uma longa espera. Luis Verdesoto, membro do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), considerou, porém, que a participação ocorreu em “termos normais”. 

Filas, que em alguns casos se estendiam por vários quarteirões, obrigaram as autoridades eleitorais a pedir o abrandamento das restrições impostas pela pandemia para a entrada de eleitores em espaços fechados, que eram monitorados por militares e policiais. “Foram circunstâncias que desanimam os eleitores. As filas eram longas demais”, disse o vice-presidente do CNE, Enrique Pita. A covid-19 já registrou pelo menos 257 mil casos e 15 mil mortos no país.

Um total de 13,1 milhões de eleitores, no país de 17 milhões de habitantes, estavam registrados para votar e definir o sucessor do impopular presidente Lenín Moreno, que assumiu o poder em maio de 2017 e não disputava a reeleição.

Antes da eleição, pesquisas já davam como favoritos entre os 16 candidatos – um número recorde – Arauz, que completou 36 anos no sábado, e o ex-banqueiro de direita Lasso, de 65 anos. A publicação de pesquisas estava proibida havia 10 dias, mas analistas já projetavam um segundo turno entre ambos. 

“A dispersão de partidos reflete instituições frágeis, máquinas eleitorais ativadas apenas quando há eleições, onde não há estruturas fortes”, disse à agência France Presse a cientista política Karen Garzón Sherdek, da Universidade Internacional SEK, de Quito.

Arauz, da coalizão União pela Esperança (Unes), foi indicado pelo ex-presidente socialista Rafael Correa (2007-2017), ex-aliado de Moreno, com quem rompeu logo após assumir, em meio a denúncias de casos de corrupção do antecessor. 

Indicado por Correa fala em vitória "avassaladora"

 Arauz disse que obteve “uma vitória retumbante em todas as regiões”. “Nosso triunfo é de 2 a 1 contra o banqueiro (Guillermo Lasso)”, disse o candidato por meio de sua conta no Twitter.

No Equador, para vencer a eleição no primeiro turno, o candidato deve conseguir metade mais um dos votos válidos ou pelo menos 40%, com uma diferença de 10 pontos sobre o segundo colocado. 

No campo da esquerda, Arauz tinha como principal adversário Yaku Pérez, do partido indígena Pachakutik, cujo apoio deverá ser decisivo em um segundo turno. Ele obteve entre 16,7% e 18% dos votos. Sherdek disse que Pérez saiu fortalecido, mesmo não indo ao segundo turno. “Há uma tendência do correísmo e do anticorreísmo, mas existe um porcentual importante do eleitorado que busca outra coisa. As pessoas consideram que o Equador deve fazer frente a outras problemas”, disse. A pobreza hoje atinge 25% da população e o desemprego estão em 9%. 

Correa mora na Bélgica, país de sua mulher. No Equador, ele foi condenado em 2020 a oito anos de prisão por corrupção, enfrentando uma ordem de prisão.

A votação também vai definir os 137 membros da Assembleia Nacional, mas por causa da fragmentação das forças políticas nenhum partido deve obter maioria. “Seja quem for que vença, terá um mandato sem apoio”, disse o cientista político Esteban Nichols, da Universidade Andina Simón Bolívar.  / AFP

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