Indiciado John Edwards por violar lei eleitoral nos EUA

O júri de um tribunal federal norte-americano indiciou o ex-senador democrata John Edwards por crimes de violação às regras de financiamento de campanha, informou hoje o Departamento de Justiça. A investigação da promotoria já dura mais de dois anos. A questão é saber se as doações para entidades políticas afiliadas a Edwards repassaram dinheiro a uma mulher com quem Edwards teve um caso extraconjugal e um filho, informaram pessoas próximas ao processo. Negociações para um acordo com o objetivo de evitar o julgamento foram realizadas durante a semana, mas não houve acordo, disseram as fontes.

AE, Agência Estado

03 de junho de 2011 | 13h16

Os advogados de defesa afirmam que o processo contra Edwards, que em 2004 concorreu à vice-presidência na chapa de John Kerry e em 2008 não conseguiu a nomeação para ser o candidato presidencial do Partido Democrata, deveria ser por mau uso de financiamento de campanha. Eles afirmam que ex-senador não infringiu a lei.

As acusações podem representar o capítulo final de uma promissora carreira política. Um julgamento deve revelar detalhes da conduta pessoal de Edwards enquanto sua mulher, Elizabeth, lutava contra o câncer. Ela morreu no ano passado. O caso também apresenta um desafio para o Departamento de Justiça, que usa uma estratégia agressiva para argumentar que Edwards violou as leis de financiamento de campanha.

Mais de US$ 1 milhão foram supostamente pagos a Rielle Hunter, amante do político, e ao ex-auxiliar de Edwards, Andrew Young, que inicialmente foi apontado como o pai da criança por Edwards. O dinheiro teria sido usado para manter o caso longe dos holofotes e assim manter viável a campanha presidencial de Edwards em 2008.

Uma importante questão da acusação é se, como alega o governo, o dinheiro serviu para propósitos de campanha, afirmaram pessoas próximas à investigação. As leis federais eleitorais restringem o uso pessoal de doações de campanha e exigem a divulgação das contribuições.

"John Edwards cometeu erros em sua vida - e ele sabe disso melhor do que ninguém -, mas ele não infringiu a lei", disse Greg Craig, um de seus advogados, em comunicado divulgado na semana passada. Ele liderou as tentativas para um acordo que evitaria o julgamento. "A teoria do governo está errada sobre os fatos e sobre a lei."

Um ponto importante da alegação do governo contra Edwards é uma opinião consultiva de 2000 da Comissão Federal Eleitoral, conhecida como Harvey. Segundo a comissão, doadores não podem evitar a divulgação das contribuições afirmando que elas não têm ligação com a política. Advogados do governo, em discussões com os representantes de Edwards, argumentaram que a opinião da Comissão Eleitoral mostra que o caso tem precedente. As informações são da Dow Jones.

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