Indiciamento de presidente sudanês não é político, diz tribunal

Promotor afirma que ordem de prisão contra Bashir por genocídio foi pedida com base em 'todas as evidências'

Efe,

17 de julho de 2008 | 13h49

O promotor do Tribunal Penal Internacional (TPI), Luis Moreno Ocampo, afirmou nesta quinta-feira, 17, que a ordem de detenção contra o presidente do Sudão, Omar Hassan Ahmad al-Bashir, não tem caráter político e que a emitiu "quando tinha todas as evidências".   Veja também:Bashir, anfitrião de terroristas, deu sinal verde para massacres  Entenda os conflitos no Sudão   "Mantenho minha independência sem atender a fatores políticos", afirmou Ocampo durante uma entrevista coletiva na sede das Nações Unidas em Nova York, onde assiste à comemoração do 10.º aniversário do TPI. Além disso, ressaltou que o caso de Darfur chegou em 2005 "referido pelo Conselho de Segurança" e que, após investigar o caso, emitiu na segunda-feira uma ordem de detenção internacional contra o presidente do Sudão.   "Minha responsabilidade é investigar casos e apresentar as evidências aos juízes. Minha responsabilidade é jurídica, não política", declarou o promotor do TPI, que também afirmou que apresentou o caso contra Bashir "na última semana que podia fazer isto" por causa do recesso no qual o tribunal entra por conta das férias de verão na Europa.   Ocampo afirmou que o "primeiro direito é o de dizer a verdade" e declarou que os responsáveis pelos crimes humanitários na região sudanesa de Darfur têm que ser detidos e levados à justiça.   Além disso, fez referência ao papel que outro dos envolvidos teve e contra quem desde maio passado pesa também uma ordem de detenção, como o caso do ex-vice-ministro do Interior do Sudão Ahmad Mohammed Harun, considerado o "responsável pelos acampamentos" nos quais foram cometidos muitos dos crimes. "Bashir disse que Harun seguia suas instruções. Isto foi praticamente uma confissão pública", declarou o promotor do TPI.

Tudo o que sabemos sobre:
SudãoDarfur

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.