Indiciamento de Sarkozy abala políticos de direita

Eles esperavam a reeleição do ex-líder francês em 2017, mas se ele for condenado ficará inelegível por 5 anos

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

23 de março de 2013 | 02h05

A França viveu ontem um dia de choque com o "indiciamento" do ex-presidente Nicolas Sarkozy por supostamente ter explorado a bilionária Liliane Bettencourt, que tem uma das maiores fortunas do país, para obter recursos para sua campanha eleitoral. A acusação formal foi feita na noite de quinta-feira pelo Ministério Público de Bordeaux, mas seguia repercutindo ontem, em especial entre a direita, que ainda nutria esperanças de ver o ex-chefe de Estado de volta ao Palácio do Eliseu em 2017.

A acusação por crime de "abuso de fraqueza" foi feita pelo juiz de instrução Jean-Michel Gentil, após várias horas de acareação entre o ex-presidente e funcionários da mansão de Bettencourt, proprietária da L'Oréal. Segundo o magistrado, Sarkozy teria se aproveitado da idade avançada da empresária, hoje com 90 anos, para obter financiamento para a campanha presidencial de 2007, na qual derrotou a candidata do Partido Socialista, Ségolène Royal.

À polícia, o mordomo de Bettencourt declarou em 2010 que Sarkozy visitara a bilionária, de quem obtivera € 150 mil em dinheiro vivo. Os pagamentos teriam sido feitos pelo braço direito da empresária, Patrice de Maistre, no início de 2007.

As transações financeiras irregulares são investigadas pelo Ministério Público de Paris em outro processo, que apura o envolvimento do ex-tesoureiro do partido União por um Movimento Popular, Eric Woerth, com contabilidade fraudulenta da campanha de 2007. Se condenado, Sarkozy pode pegar pena de 3 anos de prisão e ter de pagar multa de € 375 mil, além de se tornar inelegível pelos próximos cinco anos

Para o analista Brice Teinturier, as ameaças que pairam contra Sarkozy, somada à crise de credibilidade de Hollande, jogam a França à beira do desamparo político.

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