Indiciamento de suspeito será a portas fechadas

Um juiz distrital de Oslo decidiu nesta segunda-feira que o indiciamento do suspeito dos ataques na Noruega será feito a portas fechadas, impedindo assim que Anders Behring Breivik tenha uma oportunidade de divulgar suas opiniões contrárias aos muçulmanos ao público em geral.

Agência Estado

25 de julho de 2011 | 09h18

A decisão foi anunciada aos repórteres que esperavam do lado de fora do tribunal para ver Breivik pela primeira vez desde o ataque de sexta-feira contra um acampamento de jovens que matou 93 pessoas.

"Baseado em informações sobre o caso, o tribunal acha que a audiência de detenção de hoje deve ser realizada a portas fechadas", disse o juiz Kim Heger em comunicado. "Está claro que há informações concretas de que uma audiência pública com a presença do suspeito poderia rapidamente levar a uma situação extraordinária e muito difícil no que diz respeito à investigação e segurança". Breivik havia solicitado uma audiência pública, na qual ele compareceria vestindo um uniforme.

Ficou claro a partir do manifesto que ele publicou na internet para descrever o planejamento e a motivação dos ataques que ele procura uma plataforma para divulgar suas crenças de que a Europa deve ser salva do que ele descreve como colonização muçulmana. Ele também disse que os assassinatos foram uma ação de "marketing" para o manifesto.

O tribunal reconheceu que há a necessidade de transparência no caso e que normalmente consideraria os argumentos da imprensa ao tomar decisões de não abrir audiências, mas disse que neste caso isso não é possível "por razões práticas".

Não é comum que a audiência seja fechada mesmo antes de começar. Geralmente, o juiz toma essa decisão em audiência aberta ao público. Os promotores pediram que o suspeito de 32 anos fique preso por oito semanas, disse a porta-voz do Tribunal Distrital de Oslo, Irene Ramm.

Breivik confessou que esteve por trás do ataque a bomba no centro de Oslo e dos disparos no acampamento de jovens numa ilha próxima da capital, mas negou responsabilidade criminal.

No manifesto publicado na internet e de acordo com as declarações de seu advogado, ele disse que queria iniciar uma revolução para inspirar os noruegueses a retomar seu país dos muçulmanos e outros imigrantes e culpa os liberais por defender o multiculturalismo em detrimento da cultura "nativa" do país.

Geralmente, o acusado é levado ao tribunal a cada quatro semanas enquanto os promotores preparam o caso para que o juiz possa aprovar a permanência na detenção. Mas em casos de crimes graves ou quando o réu admite as acusações, períodos mais longos de prisão não são incomuns.

O primeiro-ministro Jens Stoltenberg liderou a nação num minuto de silêncio nesta segunda-feira da escadaria da Universidade de Oslo, na companhia do rei e da rainha. A Dinamarca e a Suécia também prestaram homenagem às vítimas. As informações são da Associated Press.

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