Indícios de armas químicas no Afeganistão

As forças norte-americanas no Afeganistão encontraram indícios de que extremistas islâmicos poderiam ter armas químicas, informou nesta quarta-feira, em Washington, o secretário de Defesa dos Estados Unidos, Donald H. Rumsfeld. "Algumas latas foram encontradas e, externamente, parecem conter armas de destruição em massa", disse Rumsfeld. "Mas até que elas sejam abertas, observadas, analisadas e determinarmos o que são, não saberemos ao certo", acrescentou. Rumsfeld não esclareceu em que local do Afeganistão as latas foram encontradas. "Segundo sei, encontramos uma boa quantidade de coisas que mostram um certo apetite por armas nucleares e outras de destruição em massa", afirmou o secretário. "Achamos diagramas, materiais, relatórios, atas de reuniões e esse tipo de provas. Em termos de evidências conclusivas sobre se a Al-Qaeda possui armas de destruição em massa, nessa etapa ainda não temos nada." Segundo o Pentágono, as forças norte-americanas inspecionaram mais de 40 locais suspeitos de armazenar armas químicas, biológicas ou nucleares no Afeganistão. Rumsfeld afirmou ainda que os Estados Unidos seguem a pista do líder da organização terrorista Al-Qaeda, Osama Bin Laden, e do chefe supremo do Taleban, mulá Mohammed Omar, "no terreno e não em palavras". Embora afirmasse que ainda não conhecia o paradeiro exato de nenhum dos dois, o secretário disse acreditar que eles não tenham deixado o Afeganistão. "Continuamos tendo motivos para crer que permanecem no país, mas estamos atentos também em outros lugares." Ainda segundo Rumsfeld, os Estados Unidos estenderam a guerra contra o terrorismo às Filipinas. "Muitos soldados" foram enviados à nação insular para auxiliar o exército local nos esforços para combater um grupo extremista com supostas ligações com a Al-Qaeda. No Afeganistão, caças dos EUA fizeram hoje sobrevôos para caçar remanescentes da Al-Qaeda e do Taleban no leste do país e mapear plantações de papoula, matéria-prima do ópio e da heroína no território afegão. Em Londres, o primeiro-ministro da Grã-Bretanha, Tony Blair, afirmou que a coalizão antiterror desbaratou um plano de ataque contra as forças norte-americanas no Afeganistão. Perante a Câmara dos Comuns, Blair disse que o plano foi frustrado com a descoberta de "grande quantidade de armas e munições nas proximidades de uma base norte-americana no país". Em Washington, o secretário de Justiça dos Estados Unidos, John Ashcroft, disse que John Walker Lindh, o norte-americano que lutou ao lado do Taleban, será imediatamente levado aos Estados Unidos para enfrentar acusações de ter pegado em armas para lutar contra seus compatriotas. Ainda hoje, agentes do Pentágono em Kandahar disseram que um ex-financiador do Taleban entregou-se voluntariamente em uma base norte-americana no Afeganistão para fornecer informações. Não se sabia ainda se ele forneceu aos investigadores dados capazes de ajudar a decifrar a complexa rede de apoio ao grupo Al-Qaeda. Leia o especial

Agencia Estado,

16 Janeiro 2002 | 19h50

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