Indígenas bolivianos anunciam bloqueio a Santa Cruz de la Sierra

Organizações indígenas e camponesas bolivianas do departamento de Santa Cruz anunciaram que a partir do próximo dia 20 vão bloquear a capital do distrito, informaram seus dirigentes. O cerco a Santa Cruz de la Sierra, a cidade mais importante do país, foi anunciado pelo Bloco Oriente, que agrupa centrais indígenas e camponesas. Será uma represália à greve de quatro departamentos iniciada na sexta-feira, exigindo do governo que respeite a lei de convocação da Assembléia Constituinte. A greve de Santa Cruz, Tarija, Pando e Beni, regiões que somam dois terços do território do país, foi convocada pelos líderes civis, empresariais e políticos, ao lado de governadores desses distritos, todos de partidos de oposição a Evo Morales. Segundo o secretário de Organização da Central de Povos Étnicos de Santa Cruz (CPESC), Ramiro Galindo, a greve foi imposta por "grupos de poder", sem respeitar direito de outras partes envolvidas. "Como eles têm dinheiro, querem impor suas posições, para desestabilizar a Assembléia Constituinte. Mas os povos indígenas nãovão renunciar a uma conquista que será defendida a todo custo", afirmou. O Bloco Oriente reúne os povos indígenas ayoreos, chiquitanos, yuracarés, guarayos e algumas aldeias guaranis, assim como sindicatos de camponeses, colonizadores e plantadores de algodão, ealgumas organizações populares de Santa Cruz. O protesto indígena começará dois dias antes da Feira Internacional Santa Cruz, a mais importante exposição e centro de negócios da Bolívia, com início marcado para o dia 22. A Assembléia Constituinte boliviana, eleita em 2 de julho e instalada em 6 de agosto, vive um impasse devido à divergência entre governistas e oposição sobre a forma de votação das reformas.

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